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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Caminhada São Paulo a Aparecida do Norte




20ª Caminhada São Paulo à Aparecida
REIDE de 25/02/2017 a 01/03/2017
São Paulo – Aparecida – 


Percurso Total - 160 kms

19ª Caminhada São Paulo à Aparecida
REIDE de 08/10/2016 a 16/10/2016
São Paulo – Aparecida – Rod. Guara-Cunha Km 08 - Aparecida - São Paulo

Percurso Total - 350 kms


                                Saída dia 08/10/2016 - São Paulo km 230 Via Dutra



          em pé: Carlos Edurado, Régio, Ronnie, Giovane, Maria Gales, 
                   Rita, EdileneMarcos, Telma, Alzinete, Damião, Daniel, 
                   Eliseu, Gervásio, Vitinho, Fernando Jorge, Erinaldo e 
                   Ademir.

         agachados (meio): Mateus, José Roberto e Vinicius

         agachados (fila debaixo): Manoel Gales, Ricardo, Edwaldo, Zico, 
                                           Wenner, Roni, Chico, Leite, Edilberto, 
                                           Feijão





Descanso após almoço - (1º dia)







Carro de Apoio
Alzinete, Rita e Zico





 Apoio aos Romeiros em Caçapava




Oração de Agradecimento na chegada a APARECIDA
dia 12/10/2016










18ª Caminhada São Paulo à Aparecida
REIDE de 08/10/2015 a 16/10/2015
São Paulo – Aparecida – Rod. Guara-Cunha Km 08 - Aparecida - São Paulo

Percurso Total - 350 kms



Saída dia 08/10/2015 - São Paulo km 230 Via Dutra
  







Chegada dia 12/10/2015 em Aparecida

Em pé: Carlos Eduardo; Erinaldo; Edwaldo; Maria Galês; Neto; 
Carlos; Zico; Reinaldo; Ari; Eliseu; Ademir; 
Fernando Jorge; Vítor, dona Francisca e Chico
Agachados: Manoel; Roni; Feijão; seu Francisco; Fogoió e Régio  

Sentados: Gustavo; Werner e Ricardo







17ª Caminhada São Paulo à Aparecida
REIDE de 08/07/2015 a 12/07/2015
São Paulo – Aparecida –

Percurso Total - 160 kms

Em janeiro deste ano, o meu Irmão Mario que mora no Rio de Janeiro telefonou-me dizendo que queria fazer a caminhada para Aparecida do Norte e se eu poderia acompanha-lo. Ele queria fazer a partir do Rio. 
Desaconselhei-o, pois o risco de assalto ao atravessar baixada fluminense e ao subir a Serra das Araras seria grande. 
Convidei-o para fazer a caminhada em outubro, mas ele disse que gostaria de faze-la no inverno.
Ficamos de acertar os detalhes e confirmar a data para a caminhada.

Em outubro/2009, quando em Aparecida, após chegar de mais uma caminhada, a Denise vendo-me de mochila e cajado abordou-me para conversar. E na ocasião questionou sobre a caminhada e disse-me que tinha muito vontade de faze-la mas não tinha companhia. falei que era só ela ligar e combinarmos. Trocamos números de telefones e ela ficou de ligar.
No começo de junho/15 a Denise ligou-me dizendo que gostaria de fazer a caminhada no feriadão de julho no período de 08/07 a 12/07. Perguntou se poderia acompanha-la. Disse-lhe que estava planejando fazer mais uma vez o Caminho da Fé.
Então lembrei-me do Mario. disse-lhe que ligaria para o meu irmão que também queria fazer a caminhada e se ele concordasse poderíamos fazer a caminhada no feriadão. 
O Mario topou na hora. Retornei para a Denise que confirmou.
E no dia 08/07, iniciamos a caminhada no KM 230 da Via Dutra.


 Final 1º dia 
Arujá - Km 200




  Inicio do 3º dia
Jacareí - Km 159



  Inicio do 4º dia
Caçapava - Km 126


 
 Inicio do 5º dia
Estrada velha Roseira - Aparecida



Chegada a Basílica



Encontro com a turma da Denise
em cima: Mario, Valter, Maria Cristina, Junior, Fernando Jorge, Mahayana e João
embaixo: Simone, Ivanira, Denise, Rose, Malva e Tayna




16ª Caminhada São Paulo à Aparecida
REIDE de 08/10/2014 a 17/10/2014
São Paulo – Aparecida – Rod. Guara-Cunha Km 08 - Aparecida - São Paulo


Percurso Total - 350 kms



Ponto de encontro para inicio da caminhada
Rodovia Pres. Dutra - Km 230









Descanso depois do almoço dia 08/10



Rancho da Pamonha - Km 195




Confraternização com Romaria de Suzano em Jacareí
Pousada Dutra - km 160




Apoio ao Romeiro em São José dos Campos



                                                   Apoio ao Romeiro em Caçapava




Nascer do sol as 04:45 hs do dia 12/10
previsão de muito calor






Chegada em Aparecida
Em pé: Daniel; Neto; Ademir; Marcelo; Erinaldo; Feijão e Fernando Jorge.
Agachados: Elizeu; Athaíde; Chico; Roni; Leite e Zico.




15ª Caminhada São Paulo à Aparecida
REIDE de 28/02/2014 a 08/03/2014
São Paulo – Aparecida – Rod. Guara-Cunha Km 08 - Aparecida - São Paulo
Percurso Total - 350 kms



Gruta da Gratidão
Rodovia Guara - Cunha - km  2







14ª Caminhada São Paulo à Aparecida
REIDE de 08/10/2013 a 16/10/2013
São Paulo – Aparecida do Norte – São Paulo

Percurso Total - 320 kms



Grupo que se formou durante a caminhada.
Na pousada em Roseira: Roni, Zico, Leite, Fernando Jorge, Marcelo, Eliseu e Ademir




Merecido jantar depois de um dia de caminhada com muito sol.




Pouco antes da chegada a Aparecida


Parabéns a todos, em especial ao Leite que retornou comigo 
para São Paulo caminhando




13ª Caminhada São Paulo à Aparecida
REIDE de 08/10/2012 a 16/10/2012

São Paulo – Aparecida do Norte – São Paulo

Percurso Total - 320 kms







12ª Caminhada São Paulo à Aparecida

REIDE de 02/10/2011 a 12/10/2011
São Paulo – São José dos Campos – Caraguatatuba – Ubatuba - Paraty – Cunha – Aparecida do Norte.

Percurso Total - 393 kms
Este ano completei um insight que tive em 2009, de fazer a rota São Paulo – Aparecida do Norte, pelo litoral norte paulista e sul fluminense, descendo pelos três caminhos (serras) que conduzem ao litoral:

2009 – Rod Oswaldo Cruz – Taubaté - Ubatuba
2010 – Rod Pedro Eroles:  Mogi das Cruzes – Bertioga
2011 – Rod dos Tamoios – São.José dos.Campos – Caraguatatuba

Aproximadamente uns 10 dias antes, surgiu a dúvida entre o novo (desconhecido) e o antigo (conhecido e seguro), ou seja, se deveria ir pela Rodovia Tamoios ou se iria pela Rodovia Oswaldo Cruz, trajeto já percorrido e conhecido.

E a poucos dias da saída comecei a perguntar-me o porquê da dúvida, e perguntei-me se era medo ou comodidade. E uma voz interior dizia-me sempre: Em todas as caminhadas que realizei por caminhos desconhecidos tudo ocorreu bem, porque não haveria de acorrer agora também? E uma pergunta que fizeram-me há alguns anos veio-me à mente: “ Você Tem medo ou Fé”. A resposta veio automaticamente. Tenho Fé!

A partir de então não tive mais dúvidas, iria descer a serra para o litoral pela Rodovia dos Tamoios e cumprir o insight de tive em 2009.


Primeiro Dia - 02/10

Este ano havia decidido pegar um pouco mais leve, ou seja, fazer percursos menores nos primeiros dias, por isso sai um dia antes em relação ao ano de 2010.

Pois bem 06h00min em ponto estava dando o primeiro passo para mais uma caminhada.

Ao sair de casa como sempre faço, orei um Pai-Nosso, uma Ave Maria e uma Salvem Rainha, pedindo a Deus Pai-Mãe, Luz, Orientação e Proteção, por intermédio de Jesus, O Cristo, Nossa Senhora de Conceição Aparecida, São Francisco, São Bento, Meu anjo da Guarda e todos os meus Amigos Visíveis e Invisíveis,

O dia amanheceu muito gostoso para caminhar, ou seja, fresquinho e nublado.

Caminhei tranquilo, parei algumas vezes para me reabastecer de água, comer uns damascos e amêndoas. Por volta das 10h00min encontrei um carrinho de caldo de cana na beira da estrada e me delicie com dois grandes copos do melhor isotônico do mundo.

Às 16h00min cheguei ao Restaurante Chuleta de Ouro, onde o Manuel, a esposa Joelma, O Alexandre (alemão) e a esposa Leila me deram uma ótima acolhida.

Brinquei com o alemão, perguntando se este ano ele iria até Aparecida. Disse que não, pois esperava um movimento grande para os próximos dias.

O Manoel, gentilmente liberou o banheiro dos funcionários, onde tomei um banho restaurador.

Como o restaurante funciona 24 horas, e o movimento a noite é muito menor, o Alexandre e o Manoel, permitiram que eu montasse a barraca no salão do restaurante. Montei então apenas a estrutura interna da barraca e às 21h00min, depois de jantar fartamente, já estava deitado na barraca e logo cai no sono.

Distância percorrida
Residência – Arujá (km 195 Rod.Pres. Dutra) - 36 kms
Acumulado 36 kms


Segundo dia - 03/10

Acordei às 04h00min. Aprontei as minhas coisas, tomei o café e às 05h00min e estava de saída.

Antes de chegar ao  Posto  Galeto  de Ouro do Sr. Hélio,  recebi a graça de ver e presenciar uma das maiores demonstrações de Fé da minha vida.

Um senhor simples em uma bicicleta, parou-me:
- Moço o senhor ta indo pra Aparecida.
- Estou!
- O senhor pode fazer um favor pra eu?
- Se estiver ao meu alcance, farei com prazer.
- O senhor pode fazer o grande favor de colocar um dinheiro nos pés da Santa.

Fiquei calado e observei melhor aquele senhor, olhei para sua bicicleta e percebi que ele estava catando ferro, que caem ou escapam dos caminhões pelo acostamento da rodovia.

Ele tirou da sua pochete surrada, uma nota de R$ 50,00  reais bem dobradinha. O que deu para perceber que aquele dinheiro era fruto de seu trabalho e que representava muito para ele, entregou-me a nota e numa simplicidade que me comoveu e disse-me:

- Olha moço, diz pra Santa que eu, João Antonio Leite, não pude ir leva o dinheiro pra ela, mas que estou mandando R$ 50,00 reais agora e que sem falta no ano que vem eu mando os R$ 25,00 que falta.

Nesta hora a emoção veio à tona, fiquei calado, pois, a voz travou na garganta e não saia. Pequei a nota e ele continuou:

- Sabe seu moço a Santa me ajudou muito nestes últimos tempos, e graças a Deus moro só com a mulher em um sitiozinho nosso aqui perto. Sabe as filhas já estão bem encaminhadas na vida e trabalhando.

Quando consegui falar, perguntei se ele não estava preocupado em dar aquele dinheiro para um estranho caminhando sozinho na estrada.

A resposta não poderia ser mais singela.
- Não! O senhor é um homem bom.

Ai que a emoção veio com tudo e simplesmente calei.
E em silêncio agradeci a Deus Pai-Mãe, por fazer de mim um veículo e instrumento de sua vontade.
.
Conversamos mais uns 15 minutos, anotei o número do meu celular no aparelho dele, pois segundo ele só sabia ligar e atender. Anotei o telefone dele e me comprometi que assim que chegasse a Aparecida e colocasse o dinheiro aos pés da imagem principal, ou original, eu ligaria para ele.

 Despedi-me do Sr. João com uma alegria e uma leveza de espírito que não dá para descrever em palavras.
Rezei uma Ave-Maria em agradecimento.

Passei pelo Galeto de Ouro, cumprimentei o Sr. Hélio e o Sr. Vitor. Tomei um lanche e segui em frente.

Foi um dia tranquilo e às 17h00min, cheguei ao Posto da Gruta, em São José dos Campos. Nesse Posto possui uma Gruta muito bonita, com a imagem de Nossa Senhora de Lourdes.

Conversei com o gerente do restaurante o Sr. Antonio, expliquei a minha caminhada e pedi permissão para montar a barraca num lugar coberto, pois estava ameaçando chover naquela noite e o gerente permitiu.
Quando falei sobre tomar banho o Sr. Antonio explicou-me que cobravam R$ 5,00 reais pelo banho, a fim de manter o banheiro em condições de higiene. O que paguei sem ratear, pois estava muito cansado e suado, pois tinha feito muito calor naquele dia.

Às 19h00min depois da barraca montada, e depois do banho tomado e roupa limpa fui jantar no restaurante. E as 20h30min já estava deitado na barraca pronto para dormir.

Distancia percorrida
Arujá km 195 – São José dos Campos km 154 - 41 kms.
Acumulado 77 kms


Terceiro dia - 04/10

Cumpri o ritual matinal no mesmo horário do dia anterior e às 05h00min, estava caminhando pela Rod. Dutra.

Às 06h00min estava na Rodovia Tamoios e caminhei tranquilo sob uma garoa fina e às vezes um pouco mais forte até Paraibana.

Às 16h00min, cheguei no Posto Chororão, em Paraíbuna e fui logo conversar com o gerente do Posto, o Sr. Paulo, que autorizou de imediato eu montar a barraca, logo após ter-lhe explicado a caminhada.

Por volta das 17h30min começou a esfriar, e disseram-me que naquela região esfriava à noite. Como estava já sentido a queda de temperatura e estava desprevenido quanto a uma blusa de frio, perguntei ao Sr. Paulo, onde na cidade poderia comprar uma blusa. Do Posto a cidade distava quase 1 km. Resolvi ir até a cidade. Estava saindo quando um carro da prefeitura parou para abastecer. O Sr. Paulo chamou-me e disse-me que o motorista, Sr. Rubens poderia me dar uma carona, o que aceitei. Perguntei ao Sr. Rubens onde poderia comprar uma blusa baratinha, mas que esquentasse. Perguntou-me o porquê e depois que lhe expliquei ele disse-me que tinha um lugar ideal onde poderia encontrar o que queria e pagar barato. E deixou-me em frente o brechó do Alexandre e da sua esposa Sílvia.
.
Quando entrei, os dois receberam-me como se já me conhecessem há tempos. Perguntei se tinham uma blusa quente e barata. Perguntaram-me o porque e expliquei-lhes a caminhada e que precisava da blusa apenas por aquela noite e que provavelmente eu a daria para quem precisasse, pois para frente eu só encontraria muito sol e tempo quente. Eles ofereceram-me uma blusa com detalhes indígenas que serviu e eu gostei muito. Detalhe importante a blusa estava limpa. Perguntei o preço e disseram que era R$ 15,00. Antes de pagar ofereceram-me café que a dona Sílvia coou na hora. Falei das caminhadas e sem mais, sem menos, começaram a contar a vida deles. Moravam em São Paulo, e por causa de problemas com a filha mais velha, tiveram que se mudar para Paraíbuna. Depois de mais de uma hora de conversa, disseram-me que participavam de uma corrente de orações com imagem da Virgem Peregrina, e já estava na hora deles irem. Quando fui pagar o Alexandre não quis receber, dizendo que era um presente deles. Despedimo-nos e desejando-nos muita sorte.

Quando cheguei, fui direto a lanchonete que ficava ao lado e comi um big lanche.

Às 20h00min, o Sr. Paulo avisou-me que ia fechar o Posto e que eu não me preocupasse, pois o vigia da noite chegaria por volta das 21h00min.
Agradeci a acolhida desejando-lhe boa noite e ele desejando-me boa caminhada.

Distância percorrida
São José dos Campos km 154 ao km 150 - 4 kms.
Paraíbuna (Rod. Tamoios) 34 kms
Acumulado 115 kms


Quarto dia - 05/10

Levantei às 06h00min, pois havia programado ir até o Posto Neblina, que fica no começo da descida da serra e também porque a lanchonete abriria as 06h30min.
Assim quando lanchonete abrisse já estaria com tudo pronto.
Tomei um café reforçado e às 07h15min, já estava caminhando.

Caminhei direto até o Posto Neblina, só parando para reabastecer a água e tomar um lanche numa lanchonete na beira da estrada.

 Cheguei às 14h30min, no Posto. Procurei o gerente, O Carlos, que me informou que só poderia pernoitar no Posto com a autorização do dono. Às 15h30min o Carlos veio conversar comigo e disse-me que o dono não havia autorizado. Pedi que insistisse, pois não havia nenhum lugar perto onde eu pudesse me instalar. Ele voltou a falar com o dono que continuou negando. Diante da situação só havia uma opção, descer a serra naquela tarde. Respirei fundo, pedi proteção a Nossa Senhora, coloquei a mochila nas costas e sai em direção a Caraguatatuba. Como havia descansado e me alimentado no Posto, consegui fazer os 19 kms até Caraguá, em 03:30. Às 19h30min cheguei na pousada do Sol, que fica perto da Estação Rodoviária de Caraguá. Depois de  instalar-me e tomar banho, fui jantar em um restaurante caseiro. Às 21h30min estava deitado e agradecendo a Nossa Senhora por ter intercedido junto a Deus por mim, por tudo ter corrido bem naquele dia.

Distância percorrida
Paraíbuna – Caraguatatuba - 49 kms
Acumulado  164 kms


Quinto dia - 06/10

Como o trajeto do dia seria de 30 kms e como havia forçado um pouco no dia anterior, neste dia me dei o luxo de acordar às 07h00min. As 08h00min tomei um café da manhã reforçado na pousada. E as 09h00min iniciei a caminhada do dia. O trajeto entre Caraguá e Marantuba, transcorreu tranquilo, mas debaixo de um sol escaldante e muito calor.

Às 17h00min cheguei em Maranduba e fui direto para a pousada do Sr. Santos. Ele recebeu-me muito bem, mas não podia me acolher, pois a pousada estava cheia. Perguntei sobre alguma outra pousada e ele me sugeriu o Camping Clube do Brasil que ficava 01 km adiante na Rodovia Rio Santos. Antes passei no quiosque do Feio, que fica em frente ao Supermercado Oba Oba, e comi uns espetinhos de churrasco que ele estava vendendo. Fiquei lá até as 18h00min. Rumei para o Camping e realmente foi uma boa dica, pois chegando lá fui recebido por duas moças simpáticas, que conseguiram para mim uma estada como convidado. Cobraram uma taxa igual para quem era sócio.
Montei a barraca, tomei um banho e às 20h00min já estava instalado confortavelmente na barraca e logo cai no sono.


Distância percorrida
Caraguatatuba (Km 105) – Maramduba (Camping Clube Brasil km 75).  30 kms
Acumulado 194 kms


Sexto dia - 07/10

Como não tinha café da manhã no Camping resolvi sair cedo e às 06h00min já estava caminhando.
Às 08h00min parei em um super mercado e comprei o meu café da manhã: dois pães, 250 gramas de peito de peru defumado e uma caixa de suco de uva. Sentei em uma escada que há ao lado do prédio e ali mesmo fiz o meu delicioso breakfast.

Caminhei direto até Pereque Açu, e às 14h30min cheguei na pousada Ana e o Mar.

É muito bom chegar a um lugar onde se é conhecido e as pessoas nos recebem com alegria.
Só a dona Ana me recebeu, o Bruno havia ido com a esposa visitar a sogra em Minas, que estava doente.

Acertamos o preço da estada e depois fui ao apartamento onde tomei um merecido banho.

Fiquei conversando com a dona Ana até as 19h00min, quando fui jantar. Retornei às 20h00min, combinado que as 05h00min estaria saindo.

Distancia percorrida
Maramduba (Camping Clube Brasil km 75). – Pereque Açu (Pousada Ana e o Mar km 45) 30 kms .
Acumulado 224 kms.


Sétimo dia - 08/10

Conforme planejado às 05h00min estava despedindo-me da dona Ana e pedindo que desse o meu abraço ao Bruno.

Caminhei direto até as 11h30min quando cheguei ao restaurante do Tedd e da Wanderléia. Perguntei pelos dois, e o Alexandre disse-me havia comprado o ponto e agora estava tocando o restaurante junto com a esposa e uma sobrinha. Soube que o Alexandre é um dos filhos do seu Zé da Cachoeira.

Não tinha intenção de almoçar, mas enquanto conversava com o Alexandre vi um cartaz de Açaí na parede, que me despertou o desejo de uma big tigela com tudo que eu tinha direito.  Perguntei como serviam o Açaí, o Alexandre informou-me que serviam na tigela com 300 gramas de açaí com banana, leite condensado e granola. Questionei se não tinha uma tigela maior, ele não se fez de rogado pegou uma tigela maior, que segundo ele iria 500 gramas. Esse foi o meu almoço, uma big tigela de açaí, com todos os complementos, e ainda, eu tinha mais as amêndoas que trazia comigo.

Enquanto comia, surgiu um grupo de 10 pessoas em três carros que pediram almoço. Havia caíques sobre dois carros e o terceiro puxava uma carreta com mais caíques. Perguntei a um deles, o Jefferson Sestaro, se faziam descida de rios com os caíques. Disse-me que faziam competição marítima e que estavam indo para o Rio de Janeiro para uma competição nacional. Ficamos conversando por mais de 30 minutos, eu falando das caminhadas e o grupo sobre o caíque marítimo. Despedimo-nos desejando mutuamente boa sorte. O Jefferson tem um blog onde conta as suas aventuras e competições: http://blog.sestaro.com.br.

Sai debaixo de um sol escaldante e acredito com uma temperatura superior a 35 graus.

Depois de mais ou menos uma hora o grupo passou por mim fazendo a maior buzinada.

Mais uma hora de caminhada a minha água estava acabando além de estar quente e ainda tinha mais 09 km até o restaurante da Titia. O calor estava insuportável naquela hora do dia e para completar o asfalto refletia mais calor ainda.
Quase não passava um carro e pessoas menos ainda. Foi aí que meu anjo da guarda fez aparecer duas pessoas. Um senhor e um garoto, que pareciam avô e neto. Parei-as e perguntei onde poderia encontrar água. Disseram-me que havia várias minas de água pela beira da estrada. Falei brincando, para quem conhece é fácil achar, pois as maiorias das minas de d’água ficam escondidas no meio do mato. Eles riram e disseram-me que a uns 500 metros havia uma casa, e quem morava lá era o seu Israel e a esposa Lúcia e que eram gente boa e que me dariam água. Explicaram-me direitinho para que eu não errasse a entrada da casa, pois a entrada, também ficava um pouco escondida.
Neste momento parece que as forças redobram para chegarmos mais rápido.
Realmente, era muita fácil passar sem enxergar a entrada da casa que fica em um terreno rebaixado, no meio de uma mata alta, a uns 100 metros da pista.

Cheguei, bati palmas e a Lúcia me atendeu meio desconfiada, quando pedi a água, parece que ela relaxou.
Trouxe-me uma garrafa pet com água geladinha. A sede era tanta que quase bebi um litro. Depois enchi a minha garrafa.
Enquanto a Lúcia foi buscar a água, notei que a casa deles era um atelier e que eles faziam artesanatos.
O meu lado criança sem mais nem menos, perguntou se ela não tinha uma pena de gavião, para me vender. Ela entrou novamente e veio trazendo uma pena muito bonita. E com ela veio o Israel, que segundo ele estava observando-me desde que cheguei.
Disseram que não tinham uma pena de gavião, mas que tinham aquela. Brincaram comigo perguntando se eu sabia o nome do pássaro que tinha aquela pena. Eu não fazia a menor idéia. Por fim disseram-me que era de Carcará e que perto da casa deles havia um ninho e que não matavam os pássaros para ter a penas e sim, que só pegavam as penas que caiam no chão.
Convidaram-me para entrar, alegando que descansasse um pouco e esperasse o sol baixar um pouco e o calor diminuir.
Aceitei o convite e aí ficamos conversando, primeiro me questionaram sobre a minha caminhada e depois falaram da vida deles.
Eram artesãos e pertenciam a um grupo de quilombolas, disseram que na região próxima de Paraty existem vários quilombos. Falaram das histórias e os problemas que enfrentavam, principalmente, com as lideranças do quilombo, que não permitiam nenhum questionamento as suas deliberações e o Israel, um homem de seus 60 e poucos anos era um questionador nato.
Depois de quase duas horas de bom papo, disse para eles que precisa ir, senão a “coragem iria embora e me deixaria”.

Os dois insistiram que eu ficasse para jantar com eles, pois tinham peixe fresco que o senhor e o garoto, que me indicaram a casa deles, haviam pescado.
Como sabiam que a distância até a titia era de 09 kms e até Paraty mais 23 kms. Sugeriram também que eu pousasse na casa deles.
Como toda casa de artesão parece um porão de quinquilharias, o Israel abriu um espaço na sua oficina e lá mesmo montei a barraca.

Tomei um banho e voltamos a conversar  e  jantamos.
Às 21h30min disse-lhes que o sono estava pesando e que precisava dormir, pois no dia seguinte sairia as 05h00min, pois o caminho era longo, 32 kms até Paraty e mais 11 de serra até o atelier do Jorge, e que queria aproveitar o período da manhã de clima mais ameno.  Perguntei se não iria incomodá-los, se acordasse tão cedo. Disseram-me que não pois iriam assistir a corrida de formula 1 do Japão se não estou enganado, e que ela iria terminar mais ou menos as 04h00min.

Desejamo-nos boa noite.
Mal deitei, e literalmente desmaiei de sono. Acordei as 04h00min e meia hora depois já estava de saída. Agradeci a Deus, por mais um recanto acolhedor e seguro que preparou para o meu repouso.

Distância percorrida
Pousada Ana e o Mar - Sítio Israel e Lucia (km 8) 37 kms.
Acumulado 261 kms.


Oitavo dia - 09/10

Às 06h00min cheguei ao Cantinho da Titia e com muita vontade (fome) para comer o pão caseiro da tia Maria.

A primeira pessoa que veio ao meu encontro foi a tia Maria, que estava na cozinha preparando o café da manhã. Pediu que eu entrasse na cozinha para conversar enquanto ela fazia os seus afazeres e os pães que estavam assando estivessem prontos.

Contou-me que o filho que tinha problemas com álcool havia falecido há alguns meses. Tinha voltado a fumar e que não estava bem de saúde.

Nisso chegou a Tia Suely, e ao contrário da Tia Maria estava sorridente como sempre e bem magra. Dei os parabéns por ter emagrecido, o que a deixou toda vaidosa.

Perguntaram-me porque estava chegando naquele horário e lhe expliquei que havia pousado na casa do Israel e da Lúcia.
Tomei um belo café da manhã e às 07h30min já estava a caminho de Paraty.

A caminhada até Paraty foi bem tranquila, o trecho era quase todo plano e o tempo colaborou bastante, sol ameno e temperatura agradável.
Às 11h45min estava no trevo de Paraty na Rod Rio Santos. Decide não subir direto a serra e parar na cidade para comer outra big tigela de Açaí. No centro da cidade encontrei uma lanchonete que tinha açaí.

Às 13h30min estava rumo a serra em direção ao atelier do Jorge.

No meio do caminho, lembrei-me que era um dia de domingo e fiquei na dúvida se o supermercado antes da subida estaria aberto. Perguntei para duas meninas que encontrei se sabiam se o supermercado estaria aberto, disseram-me que não, mas que perto dali em uma vila, havia um que ficava aberto até mais tarde no domingo.
Fui até lá e comprei o meu jantar de caminheiro: Um litro de vinho tinto, 300 gramas de peito de peru defumado e cinco pães.

Logo que comecei a subida da serra começou a chover. Uma chuva fina e intermitente que fez a temperatura cair muito.
Cheguei ao atelier do Jorge, muito cansado, molhado e com frio.
Chamei pelo Jorge, e fui recepcionado pela Tuti, a cachorra, pastora belga. Chamei mas ninguém me atendeu. Como o Jorge deixa o atelier sempre aberto e que me instalasse mesmo ele não estando foi o que fiz.
A primeira coisa que fiz, foi tomar um banho, mas para minha surpresa descobri que não tinha água. Então tirei roupa úmida, me sequei e vesti roupas secas. Vesti uma meia limpa e seca nos pés e logo senti os pés quentes e me sentir melhor.
Montei rápido a barraca e fui comer.
A compra do vinho foi providencial, pois o vinho além de aquecer o corpo, também relaxa a musculatura. Assim me banqueteei.
Assim que deitei para dormir, senti o peso dos 43 kms caminhados, do sol, chuva e do frio. E deis minutos depois ouvi o barulho de carro chegando e a voz do Jorge. Levantei-me e gritei ao Jorge dizendo que eu estava acampado no atelier. Ele disse que sabia que eu provavelmente estaria lá, pois me viu subindo a serra a tarde quando foi a Paraty. Informou-me que não tinha água porque a mangueira que trazia água da serra arrebentou e que também não tinha nada para comer. Disse-lhe que já havia comido e que estava tudo bem.

Desejamo-nos boa noite. E depois fui dormir.

E mais uma vez agradecendo a Deus por mais um dia onde tudo correu bem e por estar agasalhado, alimentado e protegido do frio e da chuva que agora caia muito forte.

Distância percorrida
Sítio Israel e Lucia km 08 - Divisa SP/RJ 08 - kms.
Divisa SP/RJ – Paraty – 24 kms.
Paraty – Serra Atelier do Jorge – 11 kms.
Acumulado 304 kms.


Nono dia - 10/10

Acordei as 05h00min já estava com tudo arrumado. Comi uns damascos e amêndoas.
Chamei o Jorge para agradecer mais uma acolhida.  Despedimo-nos desejando boa sorte mutuamente.

As 05h15min comecei a caminhar ainda pouco escuro, mas dava para enxergar bem no lusco-fusco da madrugada e faltava pouco para o dia raiar.
Comecei a caminhar lentamente para aquecer o corpo. Estava um pouco frio àquela hora da manhã. Graças a Deus a chuva havia parado. O céu estava sem nuvens, prometendo um belo dia.

Caminhar no silencia da manhã é muito bom, caminhar no silencio da manhã na serra é muito melhor.

Duas horas de caminhada e cheguei o Bar do Gueber.
O Gueber logo que vê viu, foi logo dizendo que estava esperando a minha passagem por aqueles dias. E que uma duas semanas antes um grupo que estava fazendo a estrada Real de bike, falaram sobre um caminheiro que havia feito toda estrada Real a pé em 2007. Pela descrição, principalmente do chapéu com uma pena e do cajado o Gueber me identificou e disse a eles que me conhecia e que desde esta data eu passava por lá nesta época do ano.que me conhecia. E como diz minha amiga Ana, estou virando lenda urbana por aquelas regiões.

O Gueber me contou também que provavelmente este ano ou no máximo o ano que vem o trecho da serra até a divisa com São Paulo, será asfaltado.

Depois de uma boa meia hora de prosa e bem alimentado com o queijo minas, e um café gostoso reiniciei a subida de Serra.

Como já disse anteriormente a subida é bem íngreme, por isso a subida é lenta com uma média de 2,5 km por hora.
As 10h15mins cheguei ao topo da Serra, onde fica a Divisa dos Estados de SP e RJ.

Depois de cinco kms, cheguei a cachoeira a beira da estrada.
Quando cheguei encontrei um casal tirando fotos e um cavaleiro. Seu nome Willians Gomes e o cavalo branco, muito bonito, tinha o nome de Toy. Conversamos um pouco e disse-me que morava em Paraty, mas estava retorno de um encontro espiritual Cunha, do qual havia participado.
Ele foi embora e o casal já havia ido embora um pouco antes, logo a cachoeira era toda minha.

Como no ano passado não havia tomado banho porque a água estava muito fria e o vento gelado.
Este ano tomei o meu banho. E como estava sozinho, não me fiz de rogado fiquei nu e fui para debaixo d’água, onde permaneci por mais de meia hora. A água estava deliciosa Durante o banho fiz minhas orações pedindo a Deus Pai-Mãe, que as forças da natureza levassem todas as impurezas.

No Km 64 parei novamente no bar do José. E como em todos os anos comi os já conhecidos risoles de carne fritos na hora.

Depois rumei direto para Cunha. Cheguei a Cunha mais cedo este ano. Fui direto para a pensão da Dona Ida.

A dona Ida e a Joana, sua filha, ficaram felizes em me ver novamente. A Joana disse que havia acessado este blog e gostou bastante.
Me alojei no quarto, tomei banho e as 19h00min fui jantar.
Depois do jantar subi ao quarto e logo estava dormindo, não sem antes de agradecer por mais um dia e pela Luz, Orientação e Proteção de Deus Pai-Mãe.

Distancia percorrida
Serra a Divisa RJ/SP - 14 kms
Divisa RJ/SP – Cunha - 23 kms
Acumulado 341 kms


Décimo dia - 11/10

Acordei como de costume as 05h00min horas. E as 05h40min já estava caminhando. A padaria só abriria as 06h00min, E como tinha comido alguns damascos resolvi não esperar a padaria abrir e tomar café. Cheguei o Sr. Domingos Verreschi me cumprimentou. Tomei um café reforçado e logo depois reiniciei a caminhada.
Duas horas depois estava no a Bairro da Rocinha. Fui direto a Padaria do Ferri a da Andréia. O Ferri não estava, tinha ido buscar uma filha em Guaratinguetá. Fiz um lanche reforçado. E logo depois parti desejando felicidades.

Parei na bica para reabastecer de água.

Como disse anteriormente, a descida da serra de cunha é desconfortável, primeiro porque o acostamento é muito inclinado, o que força os joelhos, em alguns trechos (curvas) é muito estreito.

As 16h00min cheguei ao sitio do Sr. Edson e da Dona Izaura. Assim que o Sr. Edson me viu pediu que eu entrasse e foi logo me dizendo que a algumas horas atrás dizia para a dona Izaura se o rapaz que caminhava para Aparecida viria este ano.

Mostraram-me com o maior orgulho a casa nova que haviam construído e estava em fase de acabamento. A única reclamação da dona Izaura era a saudade do fogão de lenha.
Depois de um banho revigorante fui conversar com eles. A dona Izaura estava preparando o jantar e o Sr. Edson quis ir até o atacadista em Guaratinguetá para comprar lingüiça. E depois de onze dias caminhando entrava em um carro. Compramos linguiça, peixe e cerveja gelada. Fiz questão de pagar, alegando que era a minha colaboração e o mínimo que podia fazer pela acolhida.

Quando retornamos o jantar estava quase pronto. A Enquanto tomávamos cerveja e comíamos à linguiça que o Sr.Edson ia fritando a conversa corria agradável.

Fomos jantar as 20h00min. Não demorou muito para que o cansaço e o sono cobrassem o seu tributo.
E as 21h30min dei boa noite a todos e fui dormir.

Distancia percorrida
Cunha – Guaratinguetá (Sitio Sr. Edson) 37 kms
Acumulado  378 kms


Décimo primeiro dia - 12/10

No dia seguinte as 06h00min  horário que a família também costuma acordar.

Durante o café da manhã a conversa rolou solta e agradável.
Quando me despedi convidei novamente a dona Isaura para ir comigo a pé para Aparecida. Ela sorrindo muito disse que chegaria mais rápido de carro e mais uma vez disse que quando me visse na estrada não me daria carona.

Saí do sitio com a mesma sensação boa do ano anterior e agradeci a Deus a acolhida de pessoas especiais como eles.

O trecho até Guaratinguetá foi tranquilo e agradável.

Cheguei em Guaratinguetá as 10h00min. Encontrei com a Analia, uma grande e preciosa amiga, que me esperava com o motorista, o Sr. Jesus. Ela queria caminhar comigo o trecho de Guaratinguetá até a Aparecida.

Coloquei a mochila no porta malas do carro. E fomos eu a Anália caminhando e o Sr. Jesus nos acompanhando com o carro.

A Anália não aguentou andar mais que 02 kms. Alegando que o sol estava forte e muito quente. O que é compreensivo  pois ela tem a pele muito clara.

Então combinamos nos encontrar em Aparecida.

O movimento e a agitação como em todo dia 12 de outubro é angustiante, muita gente indo e vindo.

Encontrei a Anália e o Sr. Jesus em um ponto pré determinado no shopping que fica dentro dos muros da Basílica.

Antes de encontra-me com aos dois fui visitar A Ana Lucia, uma amiga, que possui um Box lanchonete no shopping. Como o movimento era grande não quis atrapalhar a Ana, e logo me despedi dela e fui ao encontro da Anália e do Sr. Jesus. Compramos algumas lembranças e fomos para Basílica. A Anália queria assistir a missa das 12h00min. Eu disse que esta missa era uma das mais procuradas e que a Basílica estava abarrotada de gente e que o melhor seria esperar a missa acabar para depois entrarmos e fazermos nossas orações. Mesmo assim ela quis ir. Mas quando chegamos e ela viu que não dava para entrar de tanta gente que havia.

Depois das orações saímos da Basílica e fomos embora, preferindo almoçar na estrada, pois na praça de alimentação do Shopping da Basílica era muito concorrido.

Chegamos a São Paulo por volta das 18h00min. Eles me deixaram em casa, onde tomamos café e conversamos com o meu pai, o seu Amauri. O Sr. Jesus só dizia que o que eu fiz é uma loucura, que ele não seria capaz de fazer o mesmo e se um dia fizesse provavelmente não chegaria vivo. A Anália dizia com orgulho que havia caminhado dois quilômetros e que só não caminhou mais por causa do calor e do sol forte.

Foram embora e agradeci a carona que foi providencial.

Quando me deitei para dormir, agradeci a Deus Pai-Mãe pela Luz, Orientação e Proteção que me concedeu durante toda a caminhada, por meio de Jesus, O Cristo, Nossa Senhora de Conceição Aparecida, meu Anjo da Guarda e todos os meus amigos visíveis e invisíveis. Por tudo ter corrido bem sem incidentes e contratempos, pelas pessoas que revi, e as que tive o prazer de conhecer e por mais uma oportunidade de autoconhecimento.


Distancia percorrida
Guaratinguetá (sitio Sr. Edson) – Aparecida 15 kms
Acumulado 393 kms















11ª Caminhada São Paulo à Aparecida


REIDE de 03/10/2010 a 16/10/2010
- São Paulo - Mogi das Cruzes - Bertioga
- Ubatuba - Parati - Cunha - Aparecida - São Paulo

Percurso total - 532 kms

Antes de relatar as experiências desta caminhada gostaria de destacar que considero interessantes: 
Um dia perguntei ao carteiro, o Douglas, que trabalha na região onde moro já há alguns anos, se o calçado que eles usam é realmente bom para caminhar.
Ele me perguntou o porquê.
Expliquei que iria fazer uma caminhada e como tinha que comprar um novo calçado resolvi perguntar.
Disse-me que era muito bom e confortável.
Quando perguntei quanto mais ou menos custava ele na maior naturalidade disse-me que conseguiria um para mim. E três semanas antes de iniciar a caminhada ele cumpriu a promessa. 

O meu irmão Alexandre Eduardo, um dia me perguntou o porquê eu não fazia um Blog comentando a caminhada. Disse-lhe que a idéia era muito boa, mas que não tinha uma máquina fotográfica para documentar. Na mesma hora ele se prontificou a comprar uma. Comprou uma ótima câmera, uma Fuji-Film S 1800 com um chip de oito gigabytes de memória.
Dois dias antes da caminhada ele trouxe a câmera.
Conversamos muito sobre a câmera e percebemos que as pilhas que vinham com a câmera não eram recarregáveis.
Corri para a loja de um amigo, o Renato, dono da foto Olido, para comprar pilhas recarregáveis. O Renato é um entusiasta das minhas caminhadas e esta querendo também fazer uma caminhada longa desde levei para revelar, as fotos da caminhada que fiz em 2007 pela Estrada Real, Diamantina/MG á Parati/RJ.
Conversamos sobre a caminhada e o blog. De repente ele me ofereceu as pilhas recarregáveis e mais um cartão de 4 Gbytes, dizendo que era a sua colaboração a caminhada.

  
Primeiro Dia - 03/10 
Sai de Casa, Vila Medeiros - SP. às 03:30hs da madrugada. 
Estava caindo uma garoa fina e um pouco frio.  
Depois de 2 km. de caminhada cheguei a Rodovia Pres. Dutra, Km 226.  
Após 2 horas de caminhada, comecei a sentir o peso da mochila.
Tinha cometido um dos maiores erros de um caminheiro: “Mochila pesada”.
Estava levando 1 quilo de damasco e 1 quilo de banana ambos desidratados, e mais 650 gramas da câmera fotográfica. A solução foi carregar os 3 na mão em um saquinho de supermercado, 
Problema resolvido caminhei tranquilo até ás 08:00 hs.
Parei para descansar um pouco e comer. 
Parei as 10:15hs, um pouco antes de Arujá, em um posto de Apoio da concessionária que administra a rodovia Pres. Dutra, Km 202, onde descansei uns 15 minutos. Comi um pouco e me reabasteci com água fresca.
Quando cheguei em Aruja, Km 199 e antes de pegar a Rod. Mogi Bertioga, resolvi tirar uma foto junto a uma placa de sinalização. Como estava sozinho, posicionei junto a placa a mochila, o cajado e o Chapéu para a foto.


Uma hora após e 4 kms percorridos, já na Rodovia Pedro Eroles (acesso a Mogi das Cruzes), começou garoar forte, então fui pegar a minha capa.
E cadê a capa?
Havia esquecido no local onde tirei a foto.
Comecei a rir não, de nervoso ou de irritação, mas pelo inusitado e esquecimento.
Relaxei um pouco e pensei se voltava ou não para pegar a capa.
Resolvi voltar, porque o tempo prometia mais chuva pela frente, e seria difícil encontrar uma capa como aquela, que é uma capa grande e muito boa (de uso do exercito), além de estar comigo deste 2003. 
O mais interessante é que em momento algum tive dúvida se iria encontrá-la.
A coisa que mais incomoda um caminheiro é retornar o caminho já percorrido.
E no caso seriam quase duas horas de caminhada, 4 kms para ir e 4 kms para voltar. 
Mas como meu anjo da Guarda é muito “gente boa”, assim que comecei a caminhar, um ônibus da empresa que faz o trajeto Arujá - Jardim São Bento, parou do meu lado.
Pensando que o cajado fosse uma vara de pesca, o motorista me perguntou onde eu iria pescar.
Expliquei que estava caminhando e voltando para pegar minha capa que havia esquecido na Rod Dutra. Mandou que eu subisse e me deu carona até o pontilhão sob a Rod. Dutra. 
Quando ia chegando ao local onde havia esquecido a capa olhei para base da placa, e cadê a capa? Não estava lá.
Relaxei e comecei a olhar em torno, quando olhei para frente lá estava ela, a uns 30 metros da placa, no meio fio da rodovia, todo enroladinha. O vento havia empurrado até lá.
Caminhei feliz, agradecendo a Deus por ter recuperado a capa, que nem senti os kms até o ponto de onde havia retornado.
Quando cheguei em Mogi das Cruzes, a primeira coisa que fiz foi procurar um posto de votação para justificar o meu voto, pois era dia de eleição.
Justificado o voto, fui procurar um lugar para me instalar.
Perguntei para várias pessoas que encontrei onde teria uma pensão ou um hotelzinho. Informaram-me que no centro da cidade havia vários e me indicaram o Hotel Liz. 
Quando cheguei ao hotel a primeira impressão não foi das melhores. Mesmo assim entrei e perguntei ao porteiro quanto era o pernoite. Respondeu que não alugavam por pernoite, apenas diária.

Notei que na parede, atrás do porteiro, havia uma tabela com os preços, escrito a mão (e muito mal escrito); Casal R$ 30,00, Solteiro, R$. 20,00 e Vagas R$ 15,00.
Disse que ficaria com uma vaga.
O porteiro me mediu de cima a baixo e perguntou o que eu estava fazendo. Expliquei o que estava fazendo uma caminhada.
O sujeito percebendo que eu estava cansado ou me achando com cara de idiota disse que as vagas eram só para grupos de 4 a 6 pessoas.
Então lhe mostrei a tabela e disse que queria um quarto de solteiro.
O Indivíduo disse que não podia ficar num quarto de solteiro, pois não poderia dispor um quarto só para uma pessoa. E se quisesse ficar lá teria que pagar por um quarto de casal.
Eu simplesmente olhei para a cara do sujeito, que não tinha coragem suficiente para me encarar e agradeci e fui embora.
Enquanto caminhava pensei no que havia acontecido e cheguei a conclusão que havia passado no meu primeiro teste, FICAR CALADO e não ter respondido nada e não discutido com o sujeito que se achava esperto. (o que não foi nada fácil). 
Atravessei a cidade de Mogi, não encontrando nenhum restaurante aberto onde pudesse fazer uma refeição, pois além de ser domingo, era também feriado e já passavam das l7:00hs.
Continuei caminhando até ás 18:00 horas.
Na saída da cidade há posto de combustível (o último) parei e fui conversar com os frentistas (Marcos, Márcio e o Netinho).
Expliquei a minha situação e se era possível conseguir um lugar coberto (pois estava chovendo) para montar a barraca.
Eles disseram que tudo bem, mas só poderia montar a barraca depois das 21:00 hs, quando chegaria o tio do Netinho, que era o segurança noturno e não haveria nenhum problema.
Agradeci e perguntei se haveria como tomar um banho e algum lugar para jantar.
Indicaram o bar que ficava no mesmo terreno do posto, mas não sabiam se àquela hora ainda estavam servindo refeições.
Fui até lá  e conversei com o Sr. Elias, dono do bar, que gentilmente me preparou um belo jantar com feijão, arroz, salada, farofa, carne, ovos.
Enquanto estava montando a barraca, chegaram as namoradas do Márcio e do Netinho com mais dois amigos. Conversamos um pouco.

Cansado fui tomar um banho frio (gelado) no alojamento dos funcionários e ás 22:00hs já estava na barraca pronto para dormir, enquanto lá fora caia o maior pé d'água.
Distância percorrida
SP – Arujá (km 199 Rod.Presidente Dutra)  - 30 km
Arujá-Mogi das Cruzes (km 54 Rod Pedro Eroles) - 22 km
Acumulado - 52 km


Segundo dia - 04/10 
Acordei às 03:30hs. Aprontei as minhas coisas, comi umas bananas e uns damascos e às 04:20hs. já estava de saída. 
Para minha felicidade a chuva havia parado e quando sai a madrugada estava fresquinha e agradável. 
Às 09:00hs. cheguei ao Bar do Donizete (km 77 – Rodovia Mogi – Bertioga) – Bar Porto da Serra - Vila dos Santos.


Tomei um café gostoso e comi umas coxinhas muito saborosas feitas pela mãe do Donizete. Ele mora ao lado do Restaurante com a Mãe e a irmã. Quando fui tirar uma foto, elas não quiseram ser fotografadas.
O assunto no Bar era a votação recorde do Tiririca. As opiniões eram as mais variadas. Desde “este país está perdido” até “é isso mesmo, tem que por um palhaço lá”
O trecho seguinte foi muito gostoso de caminhar. Estava um pouco frio e com nevoeiro. O caminho da serra é muito bonito e no alto está o Parque da Serra do Mar.


Na descida da Serra encontrei um grupo de trabalhadores construindo um murro de arrimo, pois havia ocorrido um desmoronamento há algumas semanas. Parei para conversar. Explicaram-me que aquela área que estavam trabalhando tinha um alto risco de desmoronamento.


A descida da serra é  muito bonita, com várias cachoeiras pequenas ao lado da pista. O que me chamou a atenção é que na maioria das cachoeiras havia muitas oferendas e trabalhos religiosos. As grandes cachoeiras estavam bem distantes da pista.



No km 88, um carro parou, era o Sr. João, um professor e funcionário público aposentado da prefeitura de Bertioga. Ofereceu-me carona. Agradeci e disse que estava caminhando, por isso declinava da oferta. O Senhor João  tentou convencer-me dizendo que Deus, não queria sacrifício de ninguém e que não era preciso fazer tanto esforço para chegar ao meu destino, além de ser um desperdício de tempo não aceitar a carona. Foi um pouco difícil, mas consegui convencê-lo que o meu objetivo era justamente o Caminhar.
Depois pensei, se no dia em que eu realmente precisar de uma carona, alguém irá me oferecer? 
Continuei descendo a serra até chegar a Rodovia Rio-Santos. BR 101 (km 214)
Caminhei uns dois kms. quando começou a chuviscar forte. Avistei um posto de combustível (Esso - km 212), e fui até um frentista e perguntei se poderia descansar um pouco e me proteger da chuva, numa área  coberta do posto, onde se faz troca de óleo. Ele alegou que só o gerente ou o encarregado poderiam autorizar. Nesse momento chegou um sujeito que parecia ser o encarregado e perguntei novamente. O sujeito sem olhar para mim respondeu de forma ríspida que não podia autorizar.
Eu pedi que olhasse para mim, e que falasse olhando de frente, pois que eu lhe agradeceria da mesma forma se a resposta fosse sim ou não. O sujeito ficou tão sem graça que começou a brincar com os frentistas. Fiz um esforço enorme para me controlar e disse apenas que eu não era bandido e nem vagabundo e que havia descido a serra caminhando e só queria me proteger da chuva e descansar um pouco. Agradeci novamente e sai. 
Fiquei pensando no que aconteceu enquanto caminhava e fiquei imaginando como deve se sentir uma pessoa que é descriminada. Mas foi uma excelente lição para desenvolver o meu auto controle. Fiquei contente comigo mesmo por não ter respondido de forma agressiva e ao mesmo tempo lamentei a conduta deste cidadão, porque uma pessoa para agir desta forma, no mínimo deve estar passando por problemas pessoais ou de auto estima baixa. Porque uma pessoa só trata mal um desconhecido quando quer extravasar alguma raiva, frustração ou um recalque. 
Segui em frente mais uns 6 kms. e acredito que fui recompensado, porque encontrei um casal fora de série, O Marcos e a Márcia, que são proprietários do Bar (barracão) a Toca do Mar, onde servem frutos do mar.
É um lugar simples e pitoresco. O piso é de areia, O teto e as laterais de lona. As mesas simples e as cadeiras de plástico. Mas o Coração deles com certeza é de ouro.


O Marcos contou a sua história de lutas como pescador e do bar. Ele pegou o bar quase a falência de um irmão e como conseguiu recuperá-lo e como construiu o barracão com a ajuda da Márcia. Eles estão juntos há 10 anos.
O trabalho deles é  muito duro. Enquanto ele atende as mesas ela fica na cozinha. O Marcos contou também, que faz passeios ecológicos subindo o rio de barco. Disse que a região de Bertioga esta sob proteção ambiental, possuindo a maior área de mata atlântica nativa. O rio e o mangue, segundo ele, são os menos poluídos do litoral norte paulista.
Montei a barraca num lugar protegido da chuva e do vento,  Fui tomar um banho de água vinda da serra, muito fria mais muito reconfortado, depois de seco e agasalhado, é claro! 
Enquanto isso a Márcia fazia o jantar, como só havia comido banana e damasco seco durante o dia, a fome estava me apertando. Comi muito bem: feijão, arroz, peixe frito (pescado por eles mesmos) ovos e uma pimenta das bravas.
Durante o jantar, contaram mais sobre a vida deles. A família do Marcos, já está ali na região há mais de 50 anos  e antes da construção da rodovia. Por estarem a beira de uma rodovia federal, não possuiam escritura do local e por isso não tinham luz elétrica e se utilizam de um gerador. O mais importante é que eles dizem que são felizes com a vida que levam e que não a trocariam por outra.
Quando terminei de jantar já passava das 08:30hs. e os dois queriam conversar mais, mas o cansaço e o sono me venceram.
Agradeci pela acolhida e despedi-me, pois iria sair muito cedo e não queria incomodá-los. Fui para a minha barraca. Mal deite já cai no sono.

Distância percorrida.
Mogi – Bertioga – BR 101 - 48 km.
Bertioga Rod 101 –  Rio Santos (km 214 aos 206) - 08 km
Acumulado 108 km


Terceiro dia - 05/10 
Acordei às 03:30 hs e às 04:18hs estava saindo do Bar Toca do Mar, do Marcos e da Márcia.
A madrugada estava muito agradável.



Às 08:00 hs cheguei em Boracéia (km 193) onde tomei café em uma padaria.
Depois passei pelas praias:
Juréia (Km 186);
Una (km 183);
Juquey (km 176);
Praia Preta (km 174);
Sahy (km 171);
Comburi (km 166) e finalmente cheguei ao meu destino do dia Boissucanga (km 162).


Em Boissucanga aconteceu algo parecido com o que ocorreu em Mogi.
O primeiro lugar que procurei foi o Camping da Vovó. O gerente do camping, um sujeito chamado Gilmar  atendeu-me com muita má vontade.
Percebi que o camping estava vazio. Perguntei se estava funcionando e qual o preço, me informou que era de R$ 20,00. Como parecia que iria chover e o terreno do camping era só areia, perguntei se poderia montar a barraca na varanda da casa, que servia de administração e moradia. Expliquei que estava caminhando e como sairia de madrugada queria ficar protegido caso chovesse, porque montar e guardar a barraca molhada não seria interessante, pois  além de pesar mais poderia ficar com um cheiro de mofo.
Após medir-me da cabeça aos pés, disse que não. E se quisesse ficar ali teria que montar a barraca no espaço aberto do camping. Olhei bem na cara do sujeito que não olhava nos meus olhos, agradeci e sai. E quando estava saindo pelo portão ele gritou dizendo que não acharia lugar melhor para acampar e nem mais barato. Não respondi e nem olhei para trás.
Como já estava escurecendo resolvi ficar em uma pousada. Perguntei a um motorista de táxi, que estava parado num ponto, se conhecia uma  pensão ou hotelzinho barato para pernoitar. Indicou uma pousada como sendo uma das mais baratas e disse-me, inclusive o preço da diária que era de R$ 30,00 reais para um casal. 
Cheguei a pousadinha, e perguntei quanto era o valor de uma pernoite ou de um quarto para um cidadão que estava ao computador ao lado da recepção. Disse que chamaria pessoa responsável para atender-me. Chamou a pessoa pelo telefone. Enquanto ela não chegava comecei a conversar com ele. Disse que era o proprietário. Perguntei dos preços. Respondeu-me dizendo que quem dizia o preço era a moça que estava vindo, estranhei o fato, mas fiquei quieto.
A moça chegou e parecia estar mal humorada. Perguntei para ela se eles tinham um quarto e se cobravam por pernoite. Ela respondeu que não. Que cobravam por diária. Perguntei sobre os preços. Ela olhou para o homem e depois me disse que era de R$. 40,00. 
Como já estava treinado e calejado neste tipo de situação, simplesmente agradeci e sai. O homem me chama de volta e diz que aquele é o menor preço da cidade. Agradeci mesmo assim e sai sem dizer mais nada.
Sai tranquilo com a convicção que iria encontrar um lugar acolhedor para pernoitar. Enquanto caminhava, avistei duas meninas conversando e perguntei se elas conheciam algum lugar para pousar e uma delas disse que havia na cidade um Hostel.


Quando cheguei fui recepcionado por uma moça muito bonita e simpática, a Helena, que me recebeu com um sorriso acolhedor. Brinquei com ela dizendo que estava super cansado e que não conseguiria dar mais nenhum passo. Ela sorriu e perguntou o porquê. Expliquei o que estava fazendo e que naquele dia havia caminhando uns 44 kms. Ela achou o máximo. Depois disse que os preços variam de R$. 20,00 por pessoa para grupos de quatro e sócios do Hostelling Internacional e de R$. 50,00 para não sócios.
Perguntei o que ela podia fazer por mim em termos de preços, explicando que saíria no máximo às 04:30hs da manhã seguinte.
Ela pensou um pouquinho e disse que abriria uma exceção e cobraria o preço de sócio em grupo, ou seja, R$. 20,00.
Agradeci e comecei a preencher uma ficha de check in, quando apareceu a Maria, a faz tudo (arrumadeira, faxineira e etc.). Disse que queria ver a pessoa que estava caminhando para Aparecida do Norte.
Expliquei o caminho que estava fazendo e o quanto já havia andado e o que teria ainda que andar.
Muito simpática e faladeira, começou a contar a história de sua vida, há quanto tempo trabalhava ali como arrumadeira, faxineira, lavadeira, etc. Não quis ser antipático, mas pedi licença e disse que estava muito cansado e queria tomar um banho, pois estava escurecendo e esfriando. 
Tomei meu banho e fui perguntar para a Helena, onde poderia lavar algumas peças de roupas. Ela me indicou um tanque. Enquanto estava lavando, (camiseta, calção e meias), apareceu a Dona Maria, com um balde com sabão em pó e se ofereceu para lavar, agradeci alegando que já estava terminando. Enquanto lavava as roupas ela ficou ao meu lado e continuou a contar sua história, sua vinda do nordeste, suas filhas, seu casamento desfeito, porque o marido a traia muito e que queria voltar a viver com ela, e que tanto ela como as filhas não queriam saber mais dele. Quando terminei de lavar, ela disse que a roupa não secaria até o dia seguinte e me ofereceu a centrífuga, que aceitei de bom grado.
Depois de centrifugar as roupas e estendê-las em um varal me despedi e fui jantar. Perguntei a Helena, onde havia um lugar com comida caseira. Começamos um bate papo muito agradável. Depois de quase 30 minutos me despedi para ir jantar, pois a fome estava apertando. Fui ao Cheiro Verde, um restaurante muito simples, porém a comida era realmente caseira e muito boa.
Quando voltei, dei uma boa noite rapidinho para a Helena, fui para o quarto e cai no sono.
Distância percorrida
Bertioga – Boissucanga (km 162) 44 km
Acumulado 152 km


Quarto dia - 06/10

Às 04:00 hs. já estava de saída do Hostel de Boissucanga. 
A Subida da serrinha na saída de Boissucanga para Maresias é muito íngreme e bem puxada. Como a madrugada estava um pouco fria, a subida foi agradável e relativamente fácil.
A descida para Maresias foi muito gostosa, por dois motivos, primeiro pelo amanhecer e segundo pela vista do mar. Parei várias vezes para apreciar a exuberância da natureza e a beleza maravilhosa de mais um dia nascendo.

 
Às 07:00 hs. já estava tomando meu café da manhã numa padaria em Maresias.
Estava com tanta fome, que enquanto o balconista esquentava os pães com manteiga na chapa eu tomei um litro de yogurte. Comi dois pães com manteiga e mais um copo grande com café e leite. 
De barriga cheia e ânimo renovado, sai em direção a São Sebastião, passando pelas praias de:
Pauba – km. 150
Santiago – km. 149
Toque Toque pequeno –  km. 148
Toque Grande –  km. 143
Cachoeira de Toque Toque – km. 142 
Guaecá –  km. 136
Baraqueçaba –  km. 133

Praia Grande –  km. 130
Praia Preta –  km. 129
São Sebastião  – km. 127

Cheguei em São Sebastião, às 13:00 hs. Parei para descansar um pouco. Neste momento pensei se valeria a pena caminhar mais 26 km até Caraguatatuba. Neste momento me lembrei que o trecho entre São Sebastião e Caraguatatuba era péssimo para caminhar. A pista é estreita e sem acostamento, além de ter um tráfego intenso. E como estava um pouco cansado e parecia que iria cair uma chuva forte resolvi que faria esse trecho de ônibus.
Fui até a rodoviária e peguei um ônibus para Caraguá e de lá emendei até o Posto da Polícia Rodoviária na entrada de Maranduba. 
Quando cheguei em Maranduba, por volta das 16:00hs estava caindo uma chuva fina e a temperatura havia caído bastante. Resolvi que comeria antes de me instalar.
Perguntei a algumas pessoas onde teria um lugar com comida caseira. Indicaram-me um bar no centrinho de Maranduba. Lá chegando perguntei se serviam refeições. O balconista me informou que tinham lanches. Neste momento olhei para os cartazes na parede e vi que serviam Sarapatel e Dobradinha e como estava com muita fome, resolvi que iria comer dobradinha. Então pedi uma.
Novamente o mesmo teste. O balconista me mediu da cabeça aos pés. Disse que o preço marcado de R$ 5,00 era para uma cumbuca. Perguntei se não acompanhava arroz. Disse que com arroz eram mais dois reais. Como me viu indeciso, disse que iria buscar a cumbuca para  mostrar-me a quantidade de comida que vinha. Quando voltou e antes mesmo de mostrar a cumbuca, elogiou o meu chapéu, que é um Panamá, Acho que ele achou que tinha cara de turista e deve ter somado com a minha cara de fome e resolveu dar uma de esperto. Falou que o preço do prato completo era de R$. 10,00. Tranquilamente lhe mostrei a tabela de preços na parede e perguntei o porque do preço de R$. 5,00. O sujeito ficou sem graça e perguntou para dois rapazes que estavam jogando sinuca, qual era o preço que ele cobrava pela dobradinha. Os dois responderam ao mesmo tempo que o preço era de R$. 5,00. O sujeito ficou sem chão e disse aos dois que eles estavam errados e que o preço da dobradinha servida na mesa e com arroz era de R$. 10,00. Percebendo o jogo do balconista os três se entreolharam. E os dois rapazes disseram que o preço era realmente de R$. 10,00. Consegui mais uma vez ficar calado e simplesmente respondi que se resolvesse comer a dobradinha retornaria.
E sai do bar muito indignado, mas ao mesmo tempo, lamentando a atitude do dono do Bar. Depois conversando com outras pessoas sobre o ocorrido,  explicaram o porque deste tipo de comportamento. Muitos comerciantes, nas épocas de feriados e principalmente na temporada, exploram o máximo que podem os turistas. 
Sai com fome do bar e resolvi então primeiro me instalar para depois comer. E como a chuva estava aumentando fui procurar por uma pensão, hotel ou pousada. Indicaram-me um serralheiro que tinha uma pousadinha. Chegando à serralharia, falei com o dono e lhe expliquei a minha situação. E novamente o teste.
O cidadão me olhou e falou que o quarto mais simples dele era R$. 60,00 e que eu não encontraria nada mais barato na região e que as outras pousadas e hotéis cobravam no mínimo R$. 100,00 a diária.
Expliquei que eu queria um quarto simples com banho e cama e que sairia entre 4 ou 5 horas da manhã. O cidadão olhou para minha mochila e deve ter visto a minha barraca e a esteira térmica. Perguntou se eu tinha como me ajeitar para dormir. Falei que tinha uma barraca e o saco de dormir.  Perguntou o que era o rolo de borracha preso a mochila e  expliquei-lhe que era a esteira térmica. 
Até esse momento ele não me olhou diretamente e nem parou com o trabalho que estava fazendo. Então ele levantou a cabeça e disse que iria me "ajudar". Daria um quartinho sem cama. Pois os beliches do tal quartinho não tinham colchões e que eu poderia usar um banheiro coletivo no corredor e faria “isso tudo” por apenas R$. 50,00. Nesse momento eu quase ri, porque só poderia ser uma piada. Mas mesmo assim agradeci e disse que se resolvesse voltaria. O cara de pau, ainda foi buscar um cartão (não vou citar o seu nome nem do estabelecimento pois não vale a pena). Sai tranquilo e rindo da serralharia.
Algo dentro de mim dizia que tudo iria dar certo e eu não ficaria ao relento.
Caminhei mais uns 2 kms e parei no Supermercado Oba Oba.
Em frente ao supermercado há um quiosque/lanchonete. Tomei um café e comecei a conversar com o Genilson (dono do quiosque) e perguntei se conhecia algum lugar onde poderia montar a barraca de preferência protegido da chuva. Ele indicou-me um posto há uns dois kms. a frente. Disse que o pessoal era super gente fina e que tinha segurança à noite. Continuamos conversando e contei-lhe o que estavam fazendo. Ele se lembrou de uma pequena pousada pertinho dali, a SanMar do Sr. Santos, e que provavelmente iriam me ajudar. Quando fui pagar o café ele não quis cobrar. Agradeci e rumei para a pousada que ficava não mais que 300 metros de distância fora da estrada. 
Quando cheguei na pousada já havia escurecido e foi o próprio Sr. Santos, que me atendeu. Falei que o Genilson havia indicado a sua pousada e que talvez pudesse me ajudar. Expliquei o que estava fazendo. Ele perguntou-me para onde estava indo e disse-lhe que estava indo para Aparecida do Norte. Neste momento ele abriu o portão e pediu que entrasse. Começamos conversar e explicou que a pousada estava vazia, mas que estava esperando hóspedes para o dia seguinte. Falei que sairia no máximo às 04:30 hs. da manhã do dia seguinte. Ele me fez prometer não fazer bagunça e deixar tudo arrumado quando saisse. Quanto ao preço ele me perguntou se R$. 20,00 estava um bom preço para mim. Eu simplesmente agradeci.
Deixei minhas coisas no apartamento que me indicou e voltei para tomar um café que ele ofereceu, que aceitei de bom grato.
Enquanto tomávamos café, ele disse que deixou eu me hospedar, porque ele também é muito devoto de N.Sra. de Aparecida. 

Contou que há mais de 38 anos a sua mãe, na ocasião com 47 anos, estava com câncer no intestino e havia sido desenganada pelos médicos.. Ele fez uma promessa para Nossa Senhora Aparecida, que se sua mãe tivesse que morrer, que ela fosse em paz sem sofrer. Caso contrário, que se curasse e tivesse uma vida normal. E que de um jeito ou de outro, durante um ano, todos os dias ele acenderia uma vela para Nossa Senhora e rezaria um Terço. A mãe se curou do Câncer. Disse que antes de começar o terço, pesquisou na internet a forma correta de se rezar um terço. Um tempo depois de ter cumprido a sua promessa e em uma reunião de família ele resolveu contar o que havia feito. E antes do almoço contou a promessa que havia feito e cumpumprido. Convidou a todos para rezar um terço com ele em agradecimento pela dádiva do restabelecimento da saúde de sua mãe, que estava presente na ocasião. Todos ficaram muito emocionados e em silêncio concordaram em rezar com ele. A mãe viveu até os 85 anos. O Sr Santos, também  mostrou-me uma imagem pequenina de Nossa Senhora de Aparecida feita de bronze que ele tinha desde aquela época. Contou que era casado com uma senhora nisei e as dificuldades que passou quando morou e trabalhou em uma fábrica de automóveis no Japão. Agora estava aposentado e vivia na pousada com a esposa e a filha. 
Neste momento perguntei o quanto ele me cobraria por uma refeição. Disse que infelizmente não poderia me atender, porque estava sozinho e não tinha nada preparado. Sua esposa e a filha estavam em Caraguá fazendo compras. 
Fui até o supermercado. Comprei 300 gramas de presunto, quatro pães e uma garrafa de 2 litros de refrigerante.
Tomei um banho e fui comer. Devorei tudo. 
Depois que terminei de comer o Sr. Santos aparece com um prato de comida (arroz, feijão e uns dois espetinhos de carne). Contou que ficou sem jeito depois que sai e resolveu preparar um prato de comida. Agradeci, mas já havia comido e muito. Ele insistiu que eu comesse apenas um pouco e o que sobrasse ele daria para os marrecos que ele criava e que eram os cães de guarda da pousada.
Disse que seria um desperdício e que não conseguiria comer mais nada e que se comesse qualquer coisa seria gula.
Nos despedimos desejando mutuamente boa sorte. Meia hora depois estava deitado numa cama limpa, alimentado, aquecido e protegido da chuva que caia forte naquela hora.
Distância percorrida
Boissucanga – São Sebastião (km 127) 35 km
São Sebastião – Maranduba (km 83) 44 km de ônibus
Maranduba – Pousada do Sr. Santos (km 77) 7 km
Acumulado 194 km


Quinto dia - 07/10

Às 04:18 hs estava saindo da pousada do Sr. Santos.
A chuva havia parado e a madrugada estava silenciosa e a temperatura muito agradável o que aumentou a minha disposição para caminhar. 
Quem já caminhou de madrugada em uma estrada sabe o prazer que é estar sozinho. É uma experiência muito interessante e agradável. A estrada quase deserta, onde muito raramente passa um carro. O silêncio é contagiante. A sensação de Paz é indescritível. O nascer de um novo dia é espetacular.
E a única coisa que vem a mente é a de AGRADECER a Deus por mais um novo dia.
Passei pelas praias de:
Lagoinha km 73
Praia Dura Km 68
Vista de Domingos Dias Km 66
Lázaro Km 65
No Lázaro parei às 07:30 hs parei para tomar café em uma padaria onde fui muito bem atendido pela Sandra e Carol.



Meia hora depois já estava caminhando novamente, passei pelas praias:
Praia do Lamberto Km 63
Pereque Mirim Km 61
Enseda Km 59
Toninhas Km 57
Praia Grande Km 56
Trevo de Ubatuba Km 53
Entrada de Itaguá Km 51

Em um ponto de ônibus encontrei a Elisa, uma mulher de aproximadamente 60 (e alguns) anos, simpática, com muita disposição, espírito jovem e independente que me contagiou. Ficamos conversando animadamente. Perguntou-me o que estava fazendo e depois que lhe expliquei me elogiou e disse que também já fez algumas dessas “loucuras” na vida. Convidou para conhecer a sua casa quando retornasse por aquelas bandas. A casa que ficava em uma praia próxima, onde morava há 15 anos, Agradeci e quando fui fotografá-la, fez questão de tirar a foto com o meu chapéu. 


No caminho passei por:
Trópico de Capricórnio, Km 49
Rotatória para Taubaté,  Km 48

Logo após ter passado a rotatória, duas moças passaram por mim. Alguns passos adiante olhei para trás e elas estavam paradas me olhando.
Curiosas vieram conversar. Eram a Joseane e a Adriana.


Depois de responder o que estava fazendo, elas disseram que estavam caminhando para espairecer e colocar a conversa em dia e que naquele momento falavam justamente sobre o sonho delas em fazer o caminho para Machu Pichu. E como me viram de chapéu, mochila e cajado não resistiram a curiosidade de voltar e perguntar o que eu estava fazendo. 
A Joseane (esquerda da foto) morava em São Paulo e estava saindo de um casamento de 5 anos e agora morava em Ubatuba. A Adriana estava atravessando uma fase difícil e as duas estavam se apoiando.
Ficamos uns 45 minutos conversando, nos despedimos desejando boa sorte.
Às 14:00 hs cheguei em Pereque Açu (km 45) e resolvi dar uma passada na pousada Ana e o Mar, para dar um abraço na Dona Ana e no seu Filho Bruno. que me acolheram no ano passado.
Em outubro de 2009 fiz a mesma caminhada, com a diferença que desci a serra de Taubaté – Rod. Oswaldo Cruz. Na ocasião havia descido a serra debaixo de uma forte chuva. Quando cheguei em Ubatuba estava encharcado, esgotado, com fome e frio. Queria apenas três coisas, Tomar um banho quente, comer e dormir em uma cama confortável. Quando vi a pousada Ana e Mar, decidi que era ali que iria ficar. O Bruno, quando me viu todo molhado, barba branca, chapéu velho e com a capa verde, achou que eu era a figura mais estranha que já tinha visto e que parecia o velho do rio (personagem da novela pantanal), como sempre costuma dizer a minha amiga e companheira de caminhadas, a Ana.
Voltando ao presente!
O Bruno disse que iria se casar este ano e iria morar na pousada com a esposa. A Dona Ana estava transferindo toda a administração para o filho e para futura nora e que agora iria curtir um pouco mais a vida. Estava viúva e ria completar 50 anos no dia 10/10. Disse-me que voltou a estudar, estava cursando faculdade em Ubatuba, e semana sim e semana não, ia ao baile da terceira idade. Gostava muito de dançar, principalmente gafieira.




Despedi-me porque ainda era cedo (14:30hs) e queria caminhar mais. Agradeci novamente a acolhida do ano anterior. O Bruno perguntou-me porque eu não pousava lá. Pensei que seria uma boa idéía, pois já havia dado uma boa puxada nos últimos dias.
Acertamos o preço da estada e fui para o apartamento.
Enquanto estava tomando banho, percebi que foi uma ótima idéia ter ficado lá, pois estava realmente cansado e que aquela parada mais cedo foi providencial para recuperar as forças. 
Almocei no restaurante do Catarino. Conversei muito com a sua filha, que havia dado a luz a uma linda menina há poucas semanas,
Voltei para a pousada. Conversei mais com a Dona Ana.
Às 19:00 hs. o sono e o cansaço começaram a pesar.
Dei boa noite para dona Ana. Fui para o apartamento e não demorou muito para cair no sono.
Distância percorrida
Maranduba – Pereque Açu (km 45) 32 km
Acumulado 226 km


Sexto dia - 08/10
Acordei às 03:00 hs e às 04:00 hs já estava me despedindo do Bruno e da Dona Ana.
Passei pelas praias:
Trevo Terra seca –  Km 44
Praia Vermelha do Norte Km 43
Itamanbuca Km 38
Belvedere Km 34
Às 07:00 hs. parei no posto da Polícia Rod. Federal, para pedir água. Fui muito bem recebido pelo policial rodoviário federal, Luba, o motorista do carro de resgate, Gilberto e a enfermeira Aparecida.

Conversamos e me ofereceram um café que a enfermeira Aparecida, uma paraibana muito simpática e bonita foi fazer. Enquanto isso, os dois me contaram casos de acidentes que haviam ocorrido, na rod. Rio-Santos, por aqueles dias.
Depois de uns 20 minutos despedi-me, desejando boa sorte para todos.
Depois percorri as praias: 
Praia do Félix Km 33
Rio Promirim –  cachoeira Km 32
Entrada Puruba Km 27
Ubaturimirim –  Entrada lado sul Km 21
Parei em um bar da estrada chamado Chão Batido, montado pelo casal, Antonio e Janaina, de São Paulo, que decidiram mudar de vida. Lá conheci o Eric, um sul africano, (segundo na foto, da esquerda para direita), contou que já havia percorrido  26 países como mochileiro. Quando chegou ao Brasil, adorou a região. Resolveu ficar mais tempo. Conheceu e casou-se com uma brasileira e hoje tem uma pousada em uma praia próxima.



Depois de uns 20 minutos de boa conversa me despedi e retomei o caminho.
Passei por,
Ubaturimirim –  Entrada lado norte Km 18
Entrada do Sertão de Ubatumirim km 17 – 

No Restaurante North Point, do Ted e da Wanderléia, um casal super simpático. O Ted, um cinquentão que cansado da vida de executivo que vivia em São Paulo decidiu trocar a vida agitada por vida tranquila do litoral. Conheceu e se casou com a Wanderléia que é natural da região. Conversamos por mais de 30 minutos.
Segui em frente passando pelas praias,
Entrada Almada –  Engenho Km 16 
Praia da fazenda Km 13
Entrada da Vila Pinciguaba Km12
Trilha para Praia Brava Km 06
Cachoeira – Entrada Camburi Km 01 

Antes de chegar ao Bar do Zé da Cachoeira avistei um homem simples caminhando com um saco nas costas que parecia muito pesado. Perguntei o que ele carregava. Disse-me que eram ostras. Começamos a conversar. Era conhecido como Mirandinha, porque foi jogador de futebol, e por parecer com o jogador Mirandinha, passou a ser conhecido como tal. Hoje vive na região. Tem cinco filhos e sobrevive das ostras que pega. Percebi que sua blusa de lã estava rasgada e como na divisa SP/RJ, costuma fazer frio à noite dei-lhe o meu casaco de frio. Em retribuição ofereceu um pouco de ostras. Disse que não, porque não teria como abri-las. Insistiu dizendo que no Bar do Zé, que distava há uns 500 metros, o pessoal poderia abrir para mim. 
Quando cheguei, a primeira pessoa que me atendeu foi a Fernanda, uma dos doze filhos do Sr. Zé. Falei das ostras e ela gentilmente se prontificou para abri-las. Enquanto ela abria as ostras pedi uma coxinha de galinha, que é famosa no bar e não resisti e pedi também uma cerveja. A primeira cerveja que bebia depois de seis dias de caminhada.
                                

Neste meio tempo, chegou o Sr. Zé, com um dos filhos e iniciaram o conserto de um gerador que não queria funcionar de jeito nenhum. O bar fica ao lado de uma cachoeira. Contaram que há 5 anos, ocorreu um temporal tão grande que a força da água arrastou tudo que eles tinham inclusive o barracão onde fica o bar. 
Depois de 20 minutos estava a caminho do Cantinho da Titia.

Divisa São Paulo –  Rio de Janeiro -  0 km 


Às 15:30 hs cheguei ao Cantinho da Titia.
As titias são quatro irmãs, Mas somente três trabalham no restaurante, Tia Maria, Tia Gercina e a Tia Suely (a faladeira)
No ano anterior, o Sr. Zé da Cachoeira, tinha me indicado a Titia e que ela poderia me acolher e dar pouso.
Quando cheguei ao cantinho da Titia, estava caindo uma chuva torrencial, e eu estava encharcado e com muito frio. A divisa entre os estados está localizada em uma serrinha, e por esse motivo chove muito nesta época do ano e a temperatura geralmente cai muito à noite. A primeira pessoa que avistei foi uma senhora que estava costurando algo à mão. Perguntei sobre a titia e que havia sido indicado pelo Sr. Zé da Cachoeira. Olhou-me de cima a baixo e perguntou o que eu queria. Expliquei que estava indo para Aparecida do Norte e gostaria de saber se poderia montar a barraca em algum lugar seco e tomar um banho.  Ela se apresentou como sendo a Tia Suely.
Pediu para tirar a capa e a mochila e que iria arrumar o banheiro para eu tomar um banho quente. Disse-lhe que não se preocupasse que um banho frio seria melhor para relaxar a musculatura e não correr o risco de ficar resfriado. O banho estava realmente frio, mas estava ótimo. Depois de seco, agasalhado e meias secas nos pés, o corpo esquentou. Perguntei onde poderia montar a barraca e para minha surpresa ela havia preparado um quartinho para onde eu podia passar a noite. Fiquei emocionado e só consegui dizer obrigado. Levei minhas coisas para o quartinho e fui lavar algumas peças de roupa.
Quando subi para jantar. Conheci a tia Maria e a Tia Gercina.
Depois de meia hora estava jantando feijão, arroz, carne assada e salada.
Enquanto jantava e conversava com a Tia Suely apareceu um casal de andarilhos molhados da cabeça aos pés e tremendo de frio. Os dois eram muito magros e maltrapilhos. A mulher estava grávida. Disseram que vinham do Rio de Janeiro e iriam para São Paulo. Pediram um prato de comida. A tia Suely perguntou onde iriam passar a noite. Responderam que iriam seguir viagem depois que comessem. Prontamente a tia Suely disse que poderiam passar a noite ali mesmo. Depois perguntou se tinham roupa seca para vestir. Disseram que não, pois o pouco que possuíam estava num saco e estava tudo molhado.
A tia levou-os para tomar banho e deu roupas limpas e secas para eles e depois os alimentou.
Tia Suely perguntou-me o porquê eu fazia estas caminhadas. Expliquei-lhe os motivos e depois ela disse-me uma coisa que me deixou pensando durante vários dias.
“É seu Fernando, o senhor é um privilegiado, porque o senhor faz estas caminhas por distração e lazer, enquanto eles fazem por falta de opção nenhuma. Provavelmente estão fugindo de alguma situação (provavelmente relacionada a drogas) e ficam perambulando pelas estradas”

Voltando ao presente!
A primeira das Tias a me receber foi a Tia Maria (a direita da foto) que me reconheceu logo que me viu.



Conversamos e ela me deu duas notícias: Seu filho havia falecido há poucos meses em conseqüência do alcoolismo. A outra foi uma boa notícia: Estava há uma semana sem fumar (fumava há mais de 40 anos).
Chegou a Tia Gercina e disse-me que a Tia Suely estava em sua oficina costurando. Ela havia montado uma oficina onde fabricava biquinis. 
Elas me encaminharam para o mesmo quartinho. Depois fui tomar meu banho numa bica d’água que vinha da nascente no alto da serra. A água esta muito fria, mas o banho foi revigorante. 
Quando voltei para jantar a Tia Suely havia chegado. Conversamos sobre muitas coisas. Contou a história da família. Chegaram na região nos anos 50 vindos de Minas Gerais para cultivar café, com incentivo do governo. Na época os pais levavam quase um dia para chegar até Paraty e que os caminhos eram trilhas na mata. Que a vida era muito difícil, mas que foram épocas felizes.
Queixou-se de uma onça que estava comendo os seus patos e galinhas. Falou que escrevia poemas e pequenos contos e que foi premiada em um concurso de poesia e contos em Paraty há alguns meses.  Mostrou-me vários deles.

A conversa estava ótima, mas o sono foi chegando aos poucos. Às 20:00 hs. me despedi e fui dormir.
Distância percorrida
Pereque Açu –  Div SP-RJ (km 0) 45 km
Cantinho da Titia – l km
Acumulado 271 km


Sétimo dia - 09/10

Como tinha que andar apenas 23 km no dia seguinte até Paraty resolvi dormir um pouco mais.
Levantei na manhã seguinte às 06:00 hs.
Às 06:30 hs. a Tia Maria, já tinha feito o café e os pães caseiros que faz para vender, já estavam saindo do forno. As Tias Gercina e Suely saíram às 05:30 hs. para caminhar e ainda não haviam voltado. 
Comi um pão inteiro (do tamanho de um bolo Pullman) com café e leite, enquanto a Tia Maria, contava sobre sua vida e os problemas de saúde que estava tento.
Terminei o meu café  e às 07:30 hs. estava saindo. Ao me despedir a Tia Maria disse-me que acabara de passar pela estrada um andarilho. Não dei muita importância ao fato e sai caminhando.
O dia estava super agradável, a temperatura amena e o sol esplêndido.  
Depois de uns 20 minutos de caminhada vi o andarilho que a Tia Maria havia visto passar na estrada.
Aconteceu uma coisa estranha comigo, não sei precisar qual o sentimento que tive ao vê-lo, mas o fato é que não queria me aproximar e nem passar por ele.
O andarilho era um rapaz que aparentava não mais que 25 anos de idade. Estava maltrapilho e sujo.
O ritmo de caminhada dele era um pouco forte. Não tive problemas em acompanhar o seu ritmo,  mantendo sempre uma distância de 50 a 100 metros aproximadamente.
Ele era inofensivo. Não incomodou as poucas pessoas que passaram por ele. Ele simplesmente baixava a cabeça e ia em frente.
Depois de um tempo, o rapaz começou a discutir sozinho. A impressão era que realmente ele estava discutindo com uma ou mais pessoas. Gritava para que fossem embora e o deixasse em paz. Socava e chutava o ar. Pegava pedras no chão e atirava no ar, como querendo acertar em alguém.
Durante quase uma hora fiquei observando as reações do rapaz, até que resolvi parar para descansar um pouco e quando voltei a caminhar, não o encontrei mais. 
Depois de algum tempo de caminhada encontrei um casal de idosos sentados a beira da estrada. Parei para cumprimentá-los. Era o Sr. Theodoro, de 81 anos e a Ana Martha, de 52 anos.


Sentados em um banquinho conversavam tranquilamente. O Theodoro, era aposentado da Petrobrás e a Ana Martha, dizia que era muito poderoso na vila, que tinha casa alugadas e muito mais. Brinquei com eles perguntado se estavam namorando.  Os dois responderam, ao mesmo tempo, que não. Eram apenas amigos e que gostavam muito de conversar. O Sr Theodoro piscou o olho. A Ana Martha ria como se fosse uma adolescente. 
A caminhada até Paraty foi bem tranquila, o trecho era quase todo plano. E o tempo colaborou bastante,  
Cheguei em Paraty às 12:15 hs.
Parei no Centro de Informações Turísticas de Paraty, onde conheci a Maria Aparecida, uma moça muito simpática e envergonhada que não quis ser fotografada de jeito nenhum.

Depois rumei para a rodoviária esperar a minha amiga Ana, que chegaria às 14:00 hs. de São Paulo e que seguiria comigo até Aparecida.
No caminho para a rodoviária, passei por um bar de onde vinha um cheiro gostoso de comida. Só então percebi que estava com fome e não sabia.
Não pensei duas vezes e entrei  no bar. A refeição era bem servida (quantidade): Feijão Preto com bacon, Arroz, bife e salada. Estava com tanta fome que pedi mais dois ovos. Satisfeito, depois de almoçar, fui para rodoviária.
Chegando na rodoviária, tirei a mochila e me ajeitei em um cantinho tranquilo. Surgiu um casal de jovens. O Diego e a Ludmila. Deixaram as mochilas e as malas ao meu lado. Eram de Brasília. Iriam passar o feriado em Trindade, uma antiga vila de pescadores, hoje ponto turístico bem movimentado. Estavam esperando um pessoal que vinha do Rio de Janeiro. Estranhei algumas malas grandes e perguntei por que carregam tanta coisa.  
O Diego disse que a maior parte da bagagem era de travesseiros e que não viajava sem eles. Tinha um problema sério na coluna e a única maneira de dormir sem sentir muito incômodo e dor era apoiando-se nos travesseiros. Conversamos sobre a minha caminhada. Os amigos chegarem e eles partiram. 
O Ônibus com a Ana chegou às 14:40 hs. 


Saímos imediatamente rumo a serra Paraty-Cunha.
Tinha planejado caminhar 11 km. naquela tarde e parar para pernoitar no Atelier do Jorge, um artesão que conheci no ano anterior e que se prontificou a dar abrigo.  
A Estrada Real ou Estrada do Ouro, tem seu início (ou fim) na saída de Paraty.

Os primeiros 3 km. são planos e tranquilos para caminhar.– Caiu uma chuva leve. A Ana, não resistiu e me fotografou com a capa de Chuva. Realmente é muito estranha, a minha figura com a capa de chuva sobre a mochila.


Para nossa felicidade a chuva parou 15 minutos depois.
Paramos em um supermercado antes do início da subida. Compramos o café da manhã para o dia seguinte: suco, pão e banana passas. O dono do super- mercado, um senhor muito simpático, aproximou-se e perguntou se iríamos subir a serra. Ofereceu água dizendo que era de uma mina que ficava no terreno de sua casa localizada na serra. 
A estrada da serra é bem íngreme. Vencemos tranquilamente os primeiros 4 kms de subida.
Paramos no Bairro da Penha, km 7. O Bairro recebeu o sobrenome de uma família que chegou ao local na década de 30. O Marcelo e alguns familiares,  descendentes da família Penha conservam Engenho D’Ouro, o engenho de cana movido a roda d’água e  a casa da farinha. Possuem um alambique onde fabricam cachaça artesanalmente e também exploram um restaurante e um bar.
A cachoeira do Tobogã é um ponto de parada obrigatória de turistas. Fomos conhecer a Cachoeira do Tobogã e depois o Alambique. Provamos um pouco da cachaça e fomos embora.


Do bairro da Penha até o atelier eram mais 4 quilômetros de subida íngreme e difícil. A Ana, começou a ficar preocupada se encontraríamos o Jorge, na casa dele. Disse-lhe que por ser feriado e ter mais turistas na região, com certeza ele estaria em casa. 
Começou a escurecer e a esfriar. Para sentir menos frio acelerei o passo. Às 19:00 hs chegamos ao Atelier, à noite estava fria e escura como breu .
O atelier fica a beira da estrada e a casa mais abaixo numa ribanceira.


O Jorge apareceu para nos receber e com ele veio a Tuti, uma cachorra pastor Belga toda preta, que nos estranhou num primeiro momento, mas depois não queria sair do nosso lado.
Falei que contava com a oferta dele do ano anterior. Disse-nos que poderíamos ficar no atelier, onde montamos a barraca. Tomamos banho no banheiro do atelier mesmo, que era pequeno e tinha apenas um vaso sanitário e uma pia. A água vinha de uma nascente no alto da serra. Literalmente foi um banho de cuia e a água estava muito gelada.
Tudo arrumado, banho tomado, agasalhados e com meias quentinhas nos pés, fomos preparar o nosso lauto jantar. O Jorge apareceu para saber se estava tudo bem e pediu desculpas por não nos oferecer um jantar. Não tinha feito compras no supermercado e estava sem luz em sua casa. Trouxe um pacote de bolacha, que mais parecia torradas e um litro de leite. 
Pediu que ficássemos a vontade. Iria sair e voltaria só no dia seguinte pela manhã.
Comemos banana passas, damasco, leite, bolachas, pão e como sobremesa trufas de chocolate com recheio de cachaça que a Ana havia comprado no Alambique.
Estava muito frio, mas dentro da barraca estava quentinho e acolhedor. Não demorou muito e o cansaço nos venceu.
No outro dia, a Ana disse que choveu forte durante à noite e a madrugada toda. Reclamou do meu ronco que não a deixou dormir.

Distância percorrida
Div SP-RJ - Paraty 23 kms
Paraty – Serra Paraty-Cunha (Atelier Jorge) - 11 km
Acumulado – 305 kms



Oitavo dia - 10/10

Acordamos às 05:30 hs. Aprontamos as nossas coisas. Comemos alguma coisa. Fomos agradecer ao Jorge a acolhida. Chamamos algumas vezes, mas ninguém respondeu. Quando estávamos saindo o Jorge e a Tuti apareceram. Nos despedimos prometendo retornar no próximo ano 
Às 06:30 hs começamos a caminhar lentamente para aquecer o corpo. Estava um pouco frio aquela hora da manhã. Graças a Deus a chuva havia parado.
O céu estava nublado. A paisagem na serra de manhã é muito bonita. 
Duas horas de caminhada e já havíamos alcançado o Bar do Gueber. O Bar do Gueber tornou-se parada obrigatória, para quem sobe ou desce a Serra.
No painel, em uma das paredes, tem cartões de todos os cantos do Brasil, principalmente, de grupos de motoqueiros e off road.



Enquanto tomávamos café com um delicioso queijo minas, feito na região, o Gueber contou a historia da sua família. 
Eles haviam chegado na região nos anos 30 oriundos de Muriaé - Minas Gerais, para plantar café; haviam recebidos as terras e incentivo do governo para se estabelecerem na região.
No ano de l964 ocorreu uma grande geada que acabou com quase toda a lavoura de café.  A maioria das famílias retornaram para Minas, mas muitas se estabeleceram em Paraty. A família do Gueber ficou e sobreviveram de outras culturas.
A estrada que sobe a serra e que vai até a divisa dos estados de São Paulo/Rio de Janeiro, quando foi construída atravessou a propriedade deles.  A família do Gueber construiu um barracão a beira da estrada e montaram uma espécie de Bar, de onde tiram o sustento da família até os dias de hoje.
Depois de meia hora de boa conversa e bem alimentados reiniciamos a subida de Serra.




Às 11:11 hs. atingimos o topo da Serra, onde fica a Divisa dos Estados de RJ/SP.
Aqui inicia-se a descida da serra.
Neste ponto da caminhada, temos que tomar cuidado com duas coisas interessantes e que requerem atenção para não causar danos.
A primeira é devido à descida. Por estarmos subindo há quase 5 horas, a tendência natural é acelerar o passo quando começa a descida. E é ai que mora o perigo, porque descer num ritmo forte pode causar danos nos joelhos. Tem um ditado que diz: “Difícil é subir, para descer todo Santo ajuda”, não é bem assim, não! A maioria dos caminheiros param em suas caminhadas é devido a problemas nos joelhos, e ocorre geralmente nas descidas e não nas subidas. Isso ocorre porque na subida o esforço é para tracionar, enquanto na descida todo esforço é para amortecer e freiar e todo peso recaia sobre os tornozelos e joelhos.  
O outro fato é  a diferença de piso, a subida da serra do lado do Rio de Janeiro é de terra, enquanto no lado de São Paulo a estrada é asfaltada. Nos primeiros passos  da para sentir a diferença de piso, e o impacto causado pelo piso duro do asfalto. Esta diferença entre o piso de terra e o piso asfalto, só é percebida quando se caminha algumas horas num tipo de solo e de repente passa para outro. 
Depois de cinco kms. de caminhada, encontramos uma cachoeira que fica bem a beira da estrada. Nos últimos dois anos que passei por este caminho tomei banho nesta cachoeira. Mas neste ano a água estava muito fria. Até ai tudo bem. Mas o que me impediu de tomar banho de cachoeira, foi o vento que estava muito forte e frio. Fiquei com receio de ficar gripado. Lavei o rosto nas águas enquanto a Ana, se concentrava sentada em frente à queda d’água. Tiramos algumas fotos e fomos embora.



No caminho paramos no Bar do José, Km 64.
O Sr. José vive do Bar e da plantação de Flores, Copo de Leite, que cultiva. Ele  disse-nos que é o maior produtor da região.
Ofereceu-nos almoço. Disse que estava fazendo um churrasco  em comemoração do aniversário do seu filho. Neste momento dei conta que era domingo.
E que se esperássemos um pouco a esposa iria preparar feijão e arroz. 
Como o almoço iria demorar um pouco, além de que iria pesar mais no estômago. Preferimos comer uns risoles de carne, que a mulher dele fritou na hora para nós.

Enquanto estávamos comendo chegou um rapaz de moto, o Daniel, o de blusa vermelha, todo encharcado de chuva. Disse que estava vindo de Paraty, e que estava caindo uma forte chuva na serra. Olhei para Ana e sorri. Agradeci a Deus, por ter nos poupado desta chuva, porque a estrada vira uma lama só. A Ana brincando perguntou se eu havia esquecido-me que estava andando com a “filha predileta de Deus”.


O trecho de 23 kms. até Cunha é um dos mais cansativos. Tem duas serrinhas. E o trecho final é de judiar. E para fechar com chave de ouro, uns 2 kms. antes de Cunha tem uma subida muito íngreme que aos olhos de quem caminhou o dia inteiro, parece interminável. 
Quando chegamos em Cunha estava escurecendo e esfriando. Vimos uma mercearia aberta e decidimos comprar um litro de vinho, para tomar no jantar. Rumamos direto para Pensão da Dona Ida. Como já conhecia a dona Ida, do ano passado, foi fácil o acerto quanto ao preço, depois de uma rápida negociação. Quando perguntamos sobre o jantar, disse que estava sozinha e que não poderia nos servir. Neste momento surgiu a nossa salvação. A Joana, filha da dona Ida, iria preparar o jantar para nós.


Tomei banho. Lavei algumas camisetas e meias. Depois fomos comer. O jantar estava delicioso. Comemos e tomamos vinho. Que foi aquecendo o corpo, além de aliviar um pouco o cansaço dos músculos. E como diz um ditado de Santiago de Compostela, “Com pão e vinho se faz o caminho”
Estávamos tão cansados, que após o jantar fomos dormir.

Distância percorrida
Atelier Jorge –  Div RJ-SP - 14 kms
Div RJ-SP – Cunha – 23 kms
Acumulado 342 kms



Nono dia - 11/10

Acordamos às 05:00 hs, arrumamos nossas coisas e às 06:00 hs. já estávamos tomando café na padaria. 
O dia estava muito agradável e caminhamos tranquilamente até às 09:30 hs. quando chegamos ao estabelecimento do o Sr. Domingos Verreschi. Um senhor que nos atendeu gentilmente. A família do Sr. Domingos está na região deste a década de 40. Viviam da lavoura até construírem o restaurante. Também fabricam queijos e doces em conserva e linguiça. Tomamos café e comemos pastéis que ele fritou na hora. Meia hora depois já estávamos caminhando.
No caminho encontramos o Sr. Antonio sentado na beira da estrada esperando o caminhão da coleta do leite. Em 10 minutos ele contou-nos um pouco da sua vida, as dificuldades que tinha de enfrentar para sobreviver e que dependia da pouca aposentadoria, da rocinha que cultivava e da venda do leite que tirava de suas vaquinhas. O que mais chamou a atenção foi a calma e a  tranquilidade dele.


Mais duas horas de caminhada e chegamos ao Bairro da Rocinha. Passamos no supermercado. Compramos presunto e suco. Depois fomos para a Padaria do Ferri e da Andréia para comprar pão.
Estavam fazendo um churrasco na frente da padaria. O Ferri, logo que me viu veio ao meu encontro e nos cumprimentou. Convidou-nos para comer com eles e tomar cerveja. Resisti a tentação da cerveja e do churrasco. Aleguei que se parássemos para comer perderíamos a coragem para continuar caminhando.
O Ferri, orgulhoso, dizia para os amigos que já me conhecia há 3 anos, e que toda vez que eu passava por lá, parava na padaria dele. Depois que saímos a Ana, brincando disse que eu estava me tornando lenda urbana na Rocinha.


Fui cumprimentar a dona Andréia e comprar o pão para o nosso lanche. O Ferri, ofereceu-nos panettone que ele mesmo produz. Pedi quatro pães e quando ia pagar, não quiseram receber. 
Despedimos-nos e saímos. Tínhamos combinado que faríamos o lanche na bica d’água que existe no começo da descida da serra.
Uma hora de caminhada e estávamos na bica. Paramos e fizemos o nosso lanche. Conversamos com algumas pessoas que paravam para pegar água.
Comemos e saímos.
A descida da serra de Cunha é desconfortável, porque o acostamento é  inclinado, o que força os joelhos.
Ai começou o drama da Ana. O ponto franco da Ana são as descidas. O joelho esquerdo começou a doer.  
Como a Ana disse que estava doendo muito combinamos que pegaríamos um ônibus até  Guaratinguetá, ou pararíamos num restaurante que havia há alguns kms. a frente e pousaríamos lá.
Quando faltavam uns 12 kilometros para Guará encontramos o Rogério, que estava carregando pedras num caminhão. Ele nos cumprimentou primeiro dizendo: “A fé remove montanhas”. Disse isso porque estava sozinho carregando o caminhão. Na verdade ele estava pegando pedras deixadas pela construtora que estava construindo muros de contenção nas encostas da estrada.
As pedras seriam levadas para o sítio dos pais que distava há uns 4 kilometros. Perguntei se ele conhecia um lugar perto onde poderíamos pousar. Nos olhou de cima a abaixo. De repente nos convidou para pousar no sítio dos pais. Olhei para Ana, que estava com uma cara de quem não daria nem mais um passo. Então aceitamos a oferta que havia caído do céu. A cabine do caminhão estava só com o banco do motorista disponível. Fomos na carroceria mesmo, sentados sobre as pedras.



Quando chegamos no sítio ele apresentou-nos sua mãe, dona Izaura. A dona Izaura, no primeiro olhar demonstrou não ter gostado da idéia do filho ter levado dois estranhos para sua casa. 
Pedimos licença e nos desculpamos pelo incômodo. Depois de dois minutos de conversa a dona Izaura, tratava-nos como se fossemos da família. 
Quando sai do banho a Ana estava batendo altos papos com a dona Izaura e a sua irmã Cristina, que havia chegado. Em meia hora contaram quase toda a história da família. Eram em 16 irmãos, todos vivos. A dona Isaura e a irmã tiveram um pouco de dificuldade para lembrar a ordem dos irmãos. A família é muito conhecida em Guaratinguetá.

Depois a dona Izaura contou-nos o grande dilema que estava vivendo. Os dois filhos se tornaram evangélicos e intransigentes com os pais que são católicos e devotos de Nossa Senhora Aparecida.
Conversando depois com a Ana ficamos nos perguntando o "porquê", ou "pra que", dois caminheiros que estavam indo para Aparecida do Norte, para uma festa Católica fomos parados pelo Rogério, que é evangélico, que nos acolheu da melhor forma possível.
Chegamos à conclusão de que todos nós tínhamos que trabalhar alguns preconceitos religiosos. 
Às 20:00hs. o Sr. Edson, pai do Rogério chegou. Um senhor muito animado. A primeira coisa que me falou foi sobre a sua vaquinha da raça Jersey, que ficou prenhe entre os 8 ou 9 meses de vida. Pelo que deu para entender, a mãe da vaquinha entrou no cio e o touro acabou cobrindo as duas, porque a mãe da vaquinha também estava prenhe. O Sr Edson pediu que eu tirasse fotos da vaquinha e escrevesse para o Globo rural, porque segundo ele é muito raro uma vaca ficar prenhe com 8 a nove meses de vida.


O Sr Edson mostrou-nos o sítio. Na horta tinha alface, chicória, couve, rúcula, salsinha, cebola, tomate, abóbora e mandioca. Pelo terreno estavam espalhadas as galinhas  e alguns patos. Mostrou-nos um baú (carroceria) de caminhão, que havia transformado em um dormitório (quarto) e que fazia parte da casa que ele havia construído com a ajuda da dona Isaura. Voltamos para a cozinha. Enquanto a dona Izaura preparava o jantar num fogão a lenha o Senhor Edson contava as suas andanças pelo Brasil como caminhoneiro. Depois foi a vez do Sr. Edson ir para o fogão a lenha assar umas línguiças caseiras.


O jantar estava muito gostoso e somado com a fome ficou melhor ainda.
Depois do jantar o Sr. Edson fez questão que conhecessemos o seu rádio amador. Sintonizou com alguns amigos e falou durante alguns minutos. Enquanto falava com os amigos pelo rádio percebi que ele arrastava um sotaque gaúcho carregado. Perguntei-lhe o porque do sotaque. Respondeu que a maioria dos colegas com quem falava ao rádio eram gaúchos.  
Como estávamos muito cansados fomos dormir no quarto (baú) que a dona Izaura destinou para nós. Só me lembro de ter dado boa noite para Ana e cai no sono. 
Distância percorrida
Cunha - Guaratinguetá (sítio Sr. Edson) 37 km
Acumulado 379 km


Décimo dia - 12/10

No dia seguinte como tínhamos que andar apenas 8 kms. até Guaratinguetá e mais 7 kms até Aparecida acordamos ás 06:00hs. horário que a família também costuma acordar. 
Durante o café  da manhã a conversa rolou sobre vários assuntos. Depois o Sr. Edson nos levou para conhecer a casa nova que estava construindo. Tiramos mais fotos da vaquinha. O Rogério chegou com a esposa Juliana e o filho.


Quando estávamos saindo o Sr. Edson fez questão de recitar um poema escrito por ele.

"Para entrar nesta luta
Sai da minha trincheira
Com o pingo do meu suor
Fui apagando poeira
Com fibra e resistência igual
Cerne de Aroeiras
Eu sempre segui avante
Atravessando barreiras
E no mastro da vitória hastei
Minha Bandeira
Gente que vive na sombra
Tem inveja do que sou
Mas não sabe
Que o sol muitas vezes me queimou 
Nos caminhos que passei
Muita gente não passou
Nas lutas que eu venci
Eu vi gente que tombou.
Precisa ter fé  em Deus
Para chegar onde estou
Obrigado Deus pelo dom da vida".
Agradecemos a acolhida e despedimo-nos. A dona Izaura também iria para Aparecida do Norte. Convidamos para vir a pé conosco. Agradeceu o convite e sorrindo disse que se nos encontrasse na estrada não nos daria carona.
Saímos do sítio com uma sensação muito boa e agradecendo a Deus, a acolhida providencial.
O trecho até Guaratinguetá  foi muito tranquilo e agradável.
O dia estava ensolarado e a temperatura amena. 
Chegando em Guaratinguetá, ao atravessar por debaixo de um pontilhão sob a via Dutra encontramos um rapaz, morador de rua, que veio ao nosso encontro.
A Ana assustou-se um pouco então pedi que ficasse atrás de mim.
Quando passou por nós o cumprimentei desejando um bom dia. Respondeu-me com rispidez e rancor, que o seu dia não seria tão bom assim. Tinha dormido ali mesmo debaixo do pontilhão. Não tinha ninguém, família nem casa. Disse-lhe que quando perdemos a Fé as coisas parecem ou tornam-se mais difíceis. Ele foi em frente e de repente voltou. Eu ia lhe oferecer algum dinheiro para comer, mas parei e resolvi que lhe daria se ele solicitasse.
E realmente, ele aproximou-se de nós e pediu um trocado para comer. Dei-lhe o dinheiro. Em poucas palavras ele contou a sua história. Por causa do alcoolismo, e provavelmente, de drogas também, havia perdido o emprego, se separado da mulher e estava doente e morando nas ruas.
Acredito que seu ânimo mudou um pouco depois de ter recebido  atenção e ter contado um pouco sobre a sua vida. Quando estava indo embora disse que com a ajuda de Deus iria mudar de vida e ter a família de volta.
Saímos caminhando calados. Eu por minha vez agradecendo a Deus por ter tido a oportunidade de ajudar um pouco.
No caminho para Aparecida, a Ana começou a reclamar da dor no joelho. Paramos em uma farmácia e compramos emplastro.
Quando chegamos em Aparecida, já era aproximadamente 11:00hs. Havia muita gente nas ruas. O movimento e a agitação eram angustiantes, ainda mais para mim que passei os últimos 10 dias caminhando solitário.
As pessoas se portavam como se estivessem em uma feira ou festa. Nos bares muitos bebiam e falavam alto, a maioria já embriagados e um cheiro forte de urina nas ruas.
Passou um carro com alto falante, alertando as pessoas quanto ao perigo de roubos. Pediam que as mulheres não carregassem suas bolsas a tiracolo e sim levassem em frente do corpo. Os homens deveriam guardar suas carteiras nos bolsos de frente da calça. 
Nos últimos nove anos que vou a Aparecida, sempre faço uma visita a Ana Lucia, que tem um quiosque de lanches no shopping da Basílica. Fomos direto para lá. Como estava muito cheio a Ana. não quis entrar no shopping e preferiu ficar me aguardando ao lado de fora. Realmente quase não se podia andar de tanta gente que havia no shopping. 
Revi a Ana Lucia. Conversamos um pouco e entreguei-lhe o meu livro, que havia prometido no ano anterior. Ela  contou-me que trabalhou à noite toda e que o movimento foi igual ao que estava ocorrendo naquela hora. Disse-me que durante à noite o cheiro de urina no pátio onde os ônibus ficam estacionados era insuportável e que os funcionários da Prefeitura foram chamados para lavar o pátio de estacionamento dos ônibus e toda área em volta da Basílica. Mas apesar do cansaço ela estava muito feliz por causa do movimento (faturamento). 


Despedi-me dela e fui comprar um terço que o meu filho Felipe havia pedido. Entrei em uma loja e encontrei o que queria, um terço de hematita (preta) e com a cruz de São Francisco de Assis. Conversei com o dono da loja sobre a caminhada ele presenteou-me com uma medalhinha de São Bento e um boton de Nossa Senhora de Aparecida para eu por no meu Chapéu.  
Quando voltei a Ana estava agoniada. Queria ir embora naquela hora. Disse que uns rapazes passaram várias vezes por ela, olhando para as mochilas. E que minutos antes passaram vários policiais procurando ladrões e pela descrição eram os rapazes.

Como tinha muita gente na Básilica a Ana, não quis entrar. Saimos da área da Basílica e fomos para a rodoviária. Como estávamos com fome procuramos um lugar para comer. Passamos por várias, mas nenhum nos agradou. Perto da rodoviária vimos um restaurante self-service. A Ana entrou para olhar e disse que o lugar era limpo e que a comida parecia ser boa.
Ficamos procurando um lugar para sentar. Um senhor acenou para nós e   sentarmos a mesa dele. Era o Messias. Tinha feito o Caminho da Fé. Saiu de Cravinhos-SP e veio até a Aparecida. Conversamos sobre o caminho, pois tanto eu (quatro vezes) como a Ana (duas vezes) já havíamos feito o Caminho da Fé. Três vezes sai de Tambaú e uma de Mococa. 
Terminado o almoço, fomos para a rodoviária.
Como o ônibus da Ana iria sair às 14:30 hs. e ainda não eram 14:00hs, despedi-me da Ana e voltei para a Basílica para fazer as minhas orações. 
Quando cheguei na Basílica, ainda estava sendo realizada a missa das 14hs. A igreja estava muito cheia. Esperei que a missa acabasse. Neste ínterim fui ver a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Para mim é uma visita obrigatória. Não importa quantas vezes já tenha estado lá. 
Depois que a missa terminou e a maioria das pessoas sairam, eu entrei na Básilica.
Sentei em um banco lateral e iniciei minhas orações.
Neste momento, um rapaz de aproximadamente uns 35 anos sentou-se ao meu lado com uma senhora que provavelmente era sua mãe. Ele possui deficiências físicas. Tinha problemas de coordenação motora no lado direito do corpo. Andava com o apoio de uma bengala, porque a perna direita não articulava e tinha o braço direito preso a uma tipóia. Não movimentava muito a cabeça. A senhora era baixinha e tinha uma expressão cansada e triste. Não dei muita atenção ao fato. Quando terminei minhas orações (um rosário) o rapaz se levantou em silêncio e saiu andando. A senhora também se levantou e veio até mim. Com um sorriso materno e acolhedor disse: “Fique com Deus e que Deus lhe Abençoe”. Só neste momento me dei conta que eles ficaram ao meu lado durante todo o tempo em que estive fazendo a oração.
Sai da Basílica me sentindo muito bem e com uma sensação de Paz interior muito grande. 
Como tinha intenção de retornar para casa caminhando sai da Basílica de Aparecida, aproximadamente 16:30 hs. 
Uns 4 km depois e antes da saída da cidade no Km 75 passei pela Pousada Equestre Jovimar, para cumprimentar  o Jovimar, que é o proprietário. O encarregado disse que ele havia dado uma saída e que voltaria logo.


Enquanto esperava conheci dois senhores que estavam conversando em frente do restaurante. Eram da Bahia e estavam morando em Aparecida, há pouco tempo. Haviam trazido os filhos para tomar banho de piscina. O Jovimar aluga a piscina nos horários das 09:00 hs. ás 17:00 hs., por uma taxa de R$ 10,00 por pessoa.
Quando o Jovimar chegou, cumprimentei-o e disse-lhe que estava documentando a caminhada para fazer um blog e que gostaria de falar sobre a sua pousada, pois é  a única em Aparecida do Norte, que dá pouso para romarias/comitivas de cavaleiros. 
O Jovimar pertence a uma família muito conhecida em Aparecida e tem 12 irmãos. A sua mãe era muito conhecida em Aparecida, como dona Menininha.
O terreno da pousada era da família. Ele montou a pousada em 1997, com o objetivo de dar todo apoio a cavaleiros e cavalos.
O suporte aos cavalos inclui: alimentação (ração), banho, guarda (baia e piquete), arreio e embarcador, para embarque dos cavalos, porque as comitivas retornam as suas cidades de origem de caminhão. 
Já recebeu comitivas de várias regiões do Brasil, de Goiânia (1500 km), Brasília (1300 km), Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais e várias cidades do interior de São Paulo. E que no dia seguinte receberia uma comitiva grande de cavaleiros e cavalos, se não me engano de Jales-SP.
Como estava escurecendo e estava cansado resolvi pousar ali mesmo. Pedi permissão para montar a barraca. O Jovimar autorizou e pediu ao Gilmar, gerente da pousada, que me levasse para o espaço onde ficava a piscina, ao lado do restaurante. O lugar que o Sr. Gilmar indicou-me um coberto, pois estava com ameaça de chuva e havia um banheiro próximo. 
Montei a barraca. Tomei um banho e fui jantar. 
Terminei de jantar às 20:00hs e fui dormir. Muito cansado mas ao mesmo tempo feliz e agradecido a Deus, pela acolhida e por mais um dia.

Distância percorrida
Guaratinguetá (sitio Sr. Edson) – Aparecida 15 kms
Aparecida – Pousada Jovimar – 4 kms
Acumulado 398 kms


Décimo primeiro dia - 13/10

Acordei às 05:30 hs. e às 06:00 hs já estava tomando um café gostoso e reforçado no restaurante da pousada Jovimar. 
Às 07:00 hs já estava iniciando a caminhada no km.  75 da Rodovia Dutra.
Parei no posto um pouco antes do pedágio de Roseira no km 86, para tomar um café e  abastecer-me de água. 
Caminhei tranquilo até às 12:00 hs, apesar do sol que estava muito forte.
Quando cheguei no posto Amaral, km 101, observei um caminhoneiro fazendo o seu almoço, na cozinha da carroceria.


Cumprimentei-o. O seu nome é Edilson Carvalho, mais conhecido como “bugre”. É originário da cidade de Guarapuava-PR. Contou que já rodou o Brasil todo de caminhão. Atualmente só faz o trajeto de Guarapuava - Rio de Janeiro.
O almoço ficou pronto. O Bugre insistiu que almoçasse com ele. Entre as muitas coisas que apreendi nas minhas caminhadas é que quando uma pessoa oferece alguma coisa, principalmente, comida a única coisa que devemos fazer é aceitar e agradecer.  
A comida era composta por feijão preto feito com pé de porco, arroz, farofa e carne moída. A comida estava deliciosa. Enquanto almoçávamos o bugre, contava as suas histórias pelas estradas.
Um homem aproximou-se de nos para perguntar quantos kms. faltavam até Aparecida. Disse-nos que estava pagando uma promessa e que havia saído de Embu-Guaçu, dia 08/10 e que já estava caminhando há cinco dias. Ariovaldo é o seu nome. A promessa era pela graça recebida por intermédio de N.Sra. de Aparecida, para a sua afilhada, que havia recebido um transplante duplo de Rim e Fígado.   Disse que o seu nome é Elisangela, hoje tem 21 anos de idade, e que nunca teve uma vida normal, de brincadeiras e escolas.
Estava orgulhoso de si mesmo e feliz, pois faltavam apenas 30 kms até a Basílica. Quando saiu de casa, a mulher e os filhos o chamaram de louco e que não iria conseguir fazer todo o caminho a pé.


O bugre o convidou para comer conosco. O Ariovaldo recusou e disse que não queria comer para não pesar e não perder o pique, pois queria chegar em Aparecida, ainda naquele dia. Desejamos boa sorte e ele continuou a sua caminhada.
O bugre arrumou suas coisas e partiu no caminhão rumo ao Rio. Desejamo-nos mutuamente muita Luz e Paz.
Como já eram quase 15:00 hs. (horário de verão) e o sol estava ainda muito quente decide ficar no posto.
Conhecia algumas pessoas que trabalhavam no Restaurante e na loja de acessórios ao lado.
Na loja cumprimentei a Rosana e a Juliana. Elas me autorizaram a montar a barraca ao lado da loja. Depois fui tomar um banho.
Descobri que o posto de gasolina havia sido arrendado para uma empresa do grupo da Fensa/Coca-cola. Os novos administradores reformaram os banheiros que eram usados gratuitamente e nas novas instalações colocaram contadores de tempo nos chuveiros e cobravam R$. 5,00, o banho. O banho durava 8 minutos. Valeu a pena pagar pelo banho. Os banheiros agora são limpos e bem cuidados. O antigo banheiro não tinha o menor conforto e higiene. 
Depois do banho resolvi descansar um pouco. Percebi que estava realmente cansado porque dormi até às 19:00 hs.
Levantei com fome. Fui até o restaurante. Cumprimentei o Matheus, o garçom, que trabalha no posto desde que foi inaugurado. Jantei o prato comercial que o Matheus mandou caprichar.   
Antes de ir dormir fui me abastecer de água e fiquei uma meia hora conversando com os frentistas e os seguranças do posto,
Às 21:30 hs. já estava pronto para dormir. 
Distância percorrida
Pousada Jovimar –  Posto km 101(Rod Dutra) 27 kms
Acumulado 424 kms



Décimo segundo dia - 14/10

Acordei às 04:00 hs. e 30 minutos depois já estava tudo pronto. Fui agradecer a acolhida e  despedir-me dos frentistas e dos seguranças e conversamos mais um pouco. Falamos da caminhada. Expliquei-lhes os porque da minha caminhada, o quanto caminhava por dia e o ritmo. Quando disse que fazia uma média de 5 km por hora. Um dos seguranças  disse-nos que conseguia andar 15 km em 1 hora. Todas as vezes que alguém me contava essas proezas eu rebatia na hora, mas neste dia eu simplesmente fiquei calado enquanto o rapaz contava vantagens. Descobri que não valia a pena explicar a inviabilidade do que ele dizia. Sai orgulhoso de mim por ter ficado quieto mais uma vez.
Caminhei tranquilo até  às 07:30hs, quando parei em um posto para tomar café.
A próxima parada ocorreu às 11:20 hs.
Quando cheguei no posto vi um rapaz sentado. O jeito e a aparência indicava que estava caminhando. Perguntei se estava indo para Aparecida. Disse que estava voltando para casa em Uberaba/MG. Havia saído de Uberaba, dia 28/09, com destino a Aparecida, para pagar uma promessa. Havia sofrido um acidente de moto há 4 anos e correu o risco de ter a perna direita amputada. Ficou 7 meses em uma cama. Teve vários problemas de saúde, inclusive pulmonar. Depois ficou quase 2 anos andando de muletas. E agora estava cumprindo o prometido para Nossa Senhora, por ter lhe poupado a perna. Mostrou a cicatriz na perna direita e os lugares onde foram colocados vários pinos.



Ofereci-lhe almoço. Quando falei com o garçon, o Sr Gustavo, ele disse para eu não me preocupar, depois eles fariam um prato para ele. Perguntou se eu iria almoçar. Aleguei que ainda era muito cedo. Agradeci e fui falar com o Aldo e desejei um bom retorno e boa sorte.
Segui direto até  Caçapava. O sol estava muito quente e às 14:30 hs. parei no Dani Vinhos, km 130, e tomei um copo grande de vinho tinto  e gelado. 
Às 15:00 hs. cheguei ao posto do Sr João Lagarto, km. 133 da Via Dutra.  
O restaurante do Sr. João é simples e em minha opinião de caminheiro é o lugar que melhor acolhe os romeiros de Aparecida. O Sr. João é devoto de N.Sra. de Aparecida
A maioria das pessoas que trabalham no restaurante é da família do Sr. João. A primeira pessoa que vi foi o Lourival, que trabalha há 12 anos no restaurante  e hoje é o gerente do Dia. O Lourival  cumprimentou-me feliz e a primeira coisa que me disse é que ainda tinha o terço que eu havia lhe dado no ano anterior. Conheci as cozinheiras Dona Geralda, Dona Carlota e a Graciele, todas muito tímidas.  Depois de uns 20 minutos chegou o Sr. João Lagarto. Como falei para o Sr. João, que iria documentar esta caminhada, gostaria de saber um pouco mais de sua história. O Sr. João e a esposa dona Paulina, depois de muita luta e sacrifícios, construiram o posto e o restaurante em 1986 e a sua moradia atrás do restaurante.


Numa pesquisa feita pela Nova Dutra, concessionária que administra a Rodovia, o posto do João Lagarto, foi considerado pelos caminhoneiros o posto com o melhor atendimento. Ele tem dois filhos, O mais velho é engenheiro da Embraer e já viajou por vários países, o mais novo mora e trabalha em São Paulo. Atualmente, o posto de combustível está arrendado e a administração do Restaurante está a cargo do Lourival, de dia e à noite do Sr. Narciso, cunhado do Sr. João.
A Dona Paulina, mulher do Sr. João, chegou para me conhecer. O Sr. João saiu e fiquei conversando com a Dona Paulina. Contou-me sobre sua vida de lutas. Estava terminando um tratamento de uma doença rara que contraiu. A doença deixava o corpo dela todo em feridas. Os médicos diagnosticaram  a causa da doença como nervosa. Ficamos conversando até às 17:00 hs. quando o Sr. João retornou para pega-lá e leva-lá a uma consulta médica.
Fui para o alojamento dos funcionários do restaurante que o Sr. João, sempre coloca a minha disposição para pernoitar, quando faço esta caminhada. Tomei banho. Arrumei minhas coisas e aproveitei para lavar algumas camisas e meias. Fui jantar, mas antes fiquei conversando com o Sr. Narciso e conheci a Nanni e a Aba, que trabalham na cozinha à noite. Tomei uns dois copos de vinho antes do jantar. O vinho tem a propriedade de aquecer o corpo e evitar os calafrios noturnos devido a ensolação.
Despedi-me desejando boa sorte para todos e fui dormir.

Distância percorrida
Posto km 101- Posto João Lagarto Km 133 - 32 kms
Acumulado 456 km

Décimo Terceiro dia - 15/10

Acordei às 04:00 hs e 30 minutos depois estava no restaurante tomando café com o Lourival.
Uma coisa que me chamou atenção quando passei pela cozinha, vi um coador de café muito grande que estava no chão. Era composto por um tripé que sustentava o coador e que ficava sobre um caldeirão. A quantidade de café  coado era de 20 litros por vez.


Às 05:00 hs. eu já estava caminhando na rodovia Dutra.
O tempo estava muito agradável e o silêncio da madrugada dava mais ânimo para caminhar.
Caminhei 4 horas tranquilo, até parar em um posto de gasolina para tomar um café e  abastecer-me de água.
Às 11:00 hs. cheguei na base do resgate da concessionária da Rod. Dutra e da Polícia Rod. Federal, em São José dos Campos, km 86.
As primeiras pessoas que procurei foram o Lima, paramédico e o Dr. Adriano, que me haviam socorrido no ano anterior. Devido a uma distensão na perna esquerda que causava muita dor, que me impossibilitou de continuar caminhando. 
Infelizmente, tinham terminado o plantão e saído de manhã. 
Nisso surgiu o Thiago, que me reconheceu. O Thiago, é motorista de caminhão de apoio e resgate (guincho).
Quando não consegui caminhar mais devido a dor na perna, dei sinal para um caminhão de apoio e o motorista era o Thiago. Alegou que não podia me levar até a base, porque as normas não permitiam o transporte de pessoas no caminhão de Apoio (guincho).
Passou uma mensagem pelo rádio para a base de São José dos Campos e em 15 minutos chegou a ambulância com o Lima e o Dr. Adriano.
Na ocasião  medicaram-me. Aplicaram uma injeção de Voltarem e me deram carona até a base em São José dos Campos.  
Voltando ao presente!
Fiquei conversando com o Thiago.
Chegaram o Matos e o Rodolfo, motorista e enfermeiro da ambulância de resgate que  assumiram naquela manhã, o turno de serviço. Comentaram as ocorrências do feriado. O mais grave foi o acidente de moto com um rapaz de 21 anos. O rapaz entrou em alta velocidade no corredor formado por duas carretas em movimento. Acreditam que o rapaz perdeu o equilíbrio enquanto estava entre as duas carretas ou foi sugado pela força centrípeta causada pelas rodas das carretas e sua cabeça foi esmagada pelas rodas.
Tomei café com eles abasteci-me de água e  despedi-me.


Em um posto de combustível ainda em São José dos Campos, onde existe uma gruta em homenagem a N.Sra. de Fátima encontrei um andarilho sentado que estava descansando. Perguntei-lhe de onde vinha e para onde ele ia. Estava vindo de Curitiba e já estava há mais de 30 dias caminhando pelas estradas.
Saiu de Recife para trabalhar na construção Civil em Curitiba. Havia perdido o emprego e como não conseguia nada e não tinha nenhum parente em Curitiba, acabou indo morar nas ruas. Decidiu voltar a pé para casa. O seu destino era Pernambuco. Acreditava que em dois ou três meses estaria em Recife, onde tinha família. Depois que conversamos ele disse que até estava mais animado para caminhar. Juntou suas coisas e foi embora.



Fiz um lanche rápido na lanchonete do posto e caminhei até às 16:00hs, quando cheguei ao posto Galeto de Ouro, km 181. 
O Sr. Hélio, dono do Galeto de Ouro, posto e restaurante, junto com o Sr. João Lagarto, são os que melhor recebem e acolhem os romeiros de Aparecida.
Ele teve um câncer no estômago e acredita que sobreviveu e se curou da doença por meio da intercessão de Nossa Senhora de Aparecida.
Em agradecimento construiu, no salão do restaurante, uma pequena gruta para a imagem de N. Sra. de Aparecida. 


Contou-me que chegou a rodovia em 1970, quando começou com um pequeno bar. E que conseguiu construir o posto e o restaurante depois de muito trabalho e sacrifícios.
Atualmente, o posto e o restaurante estão arrendados para o grupo Red Grill,
Mas continua a morar num apartamento que montou no prédio do restaurante.
Fui bem acolhido também pelos Sr. Vitor, gerente do dia e pelo Sr. Bernardo, gerente da noite.
Montei a barraca numa parte do prédio do posto que esta desativada, mas tem um banheiro funcionando com água e luz. e onde o Sr. Hélio, sempre deixa os romeiros pernoitarem. Como estava muito cansado, às 20:00 hs. fui dormir agradecido a Deus por mais um dia e por estar bem.

Distância percorrida
João Lagarto Km 133 – Galeto de Ouro km 181 - 48 km
Acumulado 504 km



Décimo quarto dia - 16/10

Às 05:00 hs. já havia tomado café e estava pronto para caminhar. 
Conversei um pouco com o Sr. Bernardo, que tem uma conversa muito agradável. Caminhei tranquilo até ás 08:00 hs. Parei para tomar um café em um posto de gasolina. Quando estava saindo uma caminhonete  chamou-me à atenção, tinha uma cobertura improvisada e estava cheia de gente. Naturamente, perguntei de onde vinham e para onde iam. O motorista, o Carlos, disse-me que vinham da Paraiba e estavam há 4 dias na estrada com destino ao interior do Paraná, para trabalharem na lavoura. Para não correr o risco de serem parados pela Polícia Rodoviária, que com certeza os deteria. Por isso a cobertura ficava fechada durante o trajeto, o que devia causar um desconforto muito grande, devido a falta de espaço e calor.




Desejei boa sorte a todos e segui meu caminho.
Caminhei tranquilo até  o restaurante do Alemão, Chuletão do Chalé, km 195.
A Joelma atendeu-me e disse que ele não estava.
Achei a Joelma, um pouco triste e perguntei se estava tudo bem. Disse que não, porque há três dias foi o aniversário de morte de seu marido. Em poucas palavras  contou-me a sua história. Havia casado muito novinha, com 13 anos e tinha dois filhos um com 17 e outro com 11 anos e o marido tinha falecido há dois anos. E que nesta época ela ficava muito triste.
Ficamos conversando por mais de meia hora, quando disse-lhe que precisava ir. Despedimos-nos desejando felicidades mútuas e que desse o meu abraço para o Alemão e a sua esposa. 
Cheguei na entrada de Mogi no km 199, da Rod. Pres. Dutra, por volta das 10:30 hs.
Caminhei 6 km pela Rod. Pedro Eroles e mais 4 km, pelo bairro de São Bento, até chegar no sítio Irmão Lakota. 
O sítio Irmão Lakota foi construído pelo Paulo Faia, soldado da Polícia Militar, que para tristeza dos que o conheciam, faleceu em abril/2010, em uma ocorrência policial, defendendo uma moça de um assalto. 
O Faia construiu no sítio um galpão grande, onde há cada quinze dias é realizada uma reunião com a Ayahuaska, ou santo Daime como é mais conhecido, e um pequeno Centro de Umbanda. Hoje o galpão é conduzido pela sua esposa a Joelma e o Centro é dirigido pelo José Nilton, a esposa Simoni e o Marcos.
Nesta noite, durante a sessão no centro espírita, passei por uma intervenção espiritual e a entidade aconselhou-me a não fazer mais esforço.
Por isso decide voltar aquela noite mesmo para casa.
Passei à tarde e à noite muito agradavél e prazerosa com os meus amigos, contando sobre a caminhada. 
O Carlão e a esposa Priscila  deram-me uma carona até a porta de casa.
Às 23:00 hs já estava em casa. 

Galeto de Ouro km 181 - Arujá km 199 - 18 kms
Arujá – Sítio Irmão Lakota (Mogi das Cruzes) – 10 km
Acumulado 532 km



Quando deitei-me para dormir, agradeci a Deus Pai-Mãe, por ter ocorrido tudo bem nestes 14 dias de caminhada, pelas pessoas que encontrei e tive o prazer de conhecer um pouco e por mais uma oportunidade de aprendizagem e autoconhecimento.

"Não existe caminhos para a Felicidade,
 a Felicidade é o caminho"
 Mahatma Gandhi